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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Novo blog pronto: Arauto da Nova Consciência
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Mais uma do governo antiambiental de Pernambuco
O governo de Eduardo Campos, vulgo Du Motosserra, não satisfeito em causar grande estrago na mata atlântica da região metropolitana de Recife e da Zona da Mata Norte, agora quer estuprar a natureza de Jaboatão e Cabo. A denúncia é do blog Jaboatão dos Guararapes Redescoberto.
Manguezal do Rio Jaboatão está ameaçado pelo Governo do estado
Como se não bastasse a destruição de um dos úldo timos recantos de vegetação nativa da Costa de Pernambuco – que é a Praia do Paiva no Cabo de Santo Agostinho – para satisfazer a ganância de imobiliárias e construtoras, o Governo do Estado pretende agora destruir o manguezal do estuário do Rio Jaboatão. Com a desculpa de facilitar o acesso aos condomínios de luxo que serão criados no Complexo do Paiva, o Governo aprovou o projeto de Lei Ordinária 1373/2009 que suprime a área de preservação permanente nos estuários dos rios Jaboatão e Pirapama para a criação de uma estrada vicinal. O manguezal será destruído apenas para “facilitar o acesso” aos condomínios de luxo, contrariando a tendência atual dos governos de todo o mundo de se preocuparem mais com o meio ambiente.
A área estuarina dos rios Jaboatão e Pirapama fica situada entre os municípios de Jaboatão e do Cabo e foi transformada em ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL ESTUARINA através da lei nº 9931 de 11 de dezembro de 1986. Na época da lei todos os principais estuários e manguezais de Pernambuco ficaram protegidas pela mesma lei, com exceção dos estuários dos rios Ipojuca e Massangana (para que pudesse ser livremente destruído pelo Porto de Suape). A CPRH deveria ser o órgão responsável pela proteção e fiscalização das áreas de proteção onde o desmatamento e o parcelamento do solo ficaram proibidos. Com a Lei 1373/2009 já aprovada na câmara e de autoria do Governo Estadual fica suprimida a área de proteção do Rio Jaboatão e agora, assim como em Suape, não mais existirá restrições para a sua destruição.
A área estuarina do Rio Jaboatão possui 1284 hectares e banha os bairros de Barra de Jangadas, Curcuranas, Gurugi em Jaboatão e Pontezinha e Ponte dos Carvalhos no Cabo de Stº Agostinho. Como todo o manguezal é um importante ecossistema que tanto funciona como bercário marinho para a maioria das espécies do litoral como também é um importante meio de subsistência para as populações ribeirinhas. Sua destruição ocasiona um desequilíbrio no ecossistema marinho, o que de fato já vem acontecendo em Pernambuco como provam os inúmeros ataques de tubarão nas nossas praias. Será que os biólogos da CPRH esqueceram que o estuário do Rio Jaboatão é área de reprodução dos cabeças-chatas e que a destruição deste manguezal poderá influenciar nos ataques?
A CPRH é um órgão castrado. Em vez de lutar pela preservação da área estuarina ela se omite, baixando a cabeça e submetendo-se aos interesses do Governo e, claro, dos grandes empresários que irão lucrar muito com o Complexo do Paiva e com a destruição do manguezal. Por que em vez de consentir a CPRH não cumpre o seu dever, punindo as indústrias como a Portela e o Conjunto Multifabril de Jaboatão e as usinas que poluem o Rio Jaboatão? É triste saber que aquela que deveria proteger está comprometida com interesses sinistros e é manipulada de acordo com a situação.
Mas mais triste que tudo isso é a fragilidade das leis de proteção ambientais diante da ambição dos grandes grupos econômicos. Desfazer a lei que protege o mangue da Foz do Rio Jaboatão significa não somente a destruição daquele estuário como também que nenhuma lei ambiental nesse estado tem poder para parar a ganância dos poderosos. Qualquer lei poderá agora ser suprimida quando a vontade dos grandes grupos falarem mais alto.
Outra questão intrigante é por que o governo prefere construir uma outra estrada em vez de duplicar a Estrada de Curcuranas? Não faz sentido dizer que é pelo custo da desapropriação dos imóveis, pois quem conhece a região sabe que eles nem são tantos assim. Ainda existem algumas áreas livres entorno da estrada e a duplicação além de facilitar o acesso para Pontezinha iria valorizar mais uma região que é pobre e carente.
Contudo, parece que o governo estadual só se preocupa mesmo em facilitar o acesso para os ricos futuros moradores do condomínio de luxo. Enquanto eles são capazes de anular uma lei de proteção ambiental pré-existente para abrir caminho para a elite passar, muitas comunidades pobres vivem praticamente isoladas por causa da dificuldade de acesso. Uma delas, por exemplo, a cidade de Araçoiaba, apesar de estar situada na Região Metropolitana do Recife, há muitos anos ouve a promessa de ver sua principal via de acesso ser pavimentada. Segundo o IBGE, a cidade é a mais pobre do Nordeste e uma das causas disto é a dificuldade de acesso, pois a PE 27 ainda não foi asfaltada. Esse descaso com certeza não existiria se os moradores de Araçoiaba não fossem pobres.
Enfim, estamos todos lutando e esperando que o manguezal dos rios Jaboatão e Pirapama possam ser salvos da especulação imobiliária, dos interesses obscuros do governo e da cobiça dos grandes grupos. Somente uma grande mobilização de toda a sociedade poderá trazer a esperança para a preservação do estuário do Jaboatão.
Aumento das passagens: estou de olho na manipulação
Como avisei em um dos primeiros posts do ano, anunciaram a intenção de aumentar as passagens de ônibus no Recife e região metropolitana.
Com um diferencial: a mídia está se tornando aliada daqueles que querem uma passagem ilimitadamente cara ano a ano, está começando a apoiar os aumentos. Vejam a descarada manipulação que estão fazendo a favor de tarifas mais caras:
Preparem o bolso: as passagens vão aumentar
As passagens de ônibus da Região Metropolitana do Recife vão aumentar. É fato. O silêncio repentino do governo do Estado nos primeiros dias de janeiro, mês definido pelo próprio governador Eduardo Campos para representar a data oficial do reajuste anual das tarifas, é apenas estratégia. O ano eleitoral influencia, sem dúvida, mas o setor sabe que, quanto mais tarde o aumento for dado, pior para os planos de reeleição do governador. E sem reajuste o sistema não pode ficar. A pressão do setor empresarial seria muito grande e, nessa briga de raposas, sobraria para a população, como sempre. Na verdade, não há muita opção para os quase 2 milhões de passageiros diários do sistema. Se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come: terão que desembolsar uma média de R$ 0,10 a mais no preço das tarifas com o aumento ou, com o tempo, começarão a ver o intervalo dos ônibus aumentar em algumas linhas, piorando o desconforto nos veículos.
Nos bastidores do setor, tanto entre governantes quanto entre empresários, é certo que o reajuste virá. Falta apenas acertar os detalhes. Como o governador Eduardo Campos e o prefeito João da Costa tiraram alguns dias de folga, a conversa com os técnicos foi adiada. Mas o Estado tem pressa. Quer que a majoração entre em vigor antes do retorno às aulas, o que evitaria o desgaste com os protestos estudantis, que certamente acontecerão. Alguns líderes de estudantes já avisaram que ganharão as ruas se ficar mais caro para se andar de ônibus. O que o governo ainda não teria definido com clareza é se continuará com a estratégia de utilizar o IPCA como indexador do reajuste, que fechou 2008 em 4,31%. Há possibilidade, entretanto, de o reajuste vir de outra forma devido à expectativa da licitação das linhas operadas no sistema, prevista para esse ano.
Se o indexador for o IPCA, as passagens do Grande Recife vão aumentar entre R$ 0,05 a R$ 0,15. Assim, considerando os arredondamentos, o anel A, utilizado por 1,4 milhão de pessoas, ou 78,2% dos passageiros diários do Grande Recife, subiria de R$ 1,85 para R$ 1,95. O anel B, hoje com valor de R$ 2,80, subiria para 2,92 ou R$ 2,95, se fosse arredondado. O anel D sairia de R$ 2,25 para R$ 2,35, e o anel G, de R$ 1,20 para R$ 1,25. No ano passado, as passagens subiram 6,14%. Ou seja, de um jeito ou de outro, o recado para os usuários do transporte público do Grande Recife é o seguinte: preparam os bolsos.
Depois de, em 2008, passar os aumentos para janeiro para enfraquecer a oposição estudantil e, no ano passado, dissimular o desinchaço do aumento, agora angariaram a mídia, ou parte dela, como apoiadora dos aumentos.
Preparemos não para os aumentos, mas para os protestos. Espero que não se repita o fiasco do ano passado e que a população dessa vez invada as ruas em busca de justiça socioeconômica.
Contra o aumento daquilo que deveria ser público devemos nos unir.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Frase da semana (17-23/01)
"Fiquem aí sentados esperando alguma coisa do Céu quando o maximo que pode vir é chuva..." Frase extraída do Orkut
A frase está fora de contexto mas, assim isolada, tem ótimas aplicações. Primeiro, é uma buzinada para religios@s que esperam que seu deus faça tudo por elæs. Segundo, é uma buzinada também para quem prefere esperar por milagre, para quem acha que persistir jogando na loteria é o melhor que se pode fazer para se almejar a prosperidade socioeconômica -- quando se poderia estar buscando consultoria microempresarial.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Pérola judaica sobre animais (humanos e não-humanos)
Numa página que se supõe a falar de judaísmo e vegetarianismo...
O filósofo do Século XV Rabino Yosef Albo, autor de Sefer Halkarim (“O Livro dos Princípios”), entende as instruções de D’us a Adam como uma implicação de que o Plano Divino original era que o homem se abstivesse de matar e comer carne. Sob essa visão, a matança de animais é um ato cruel e furioso, o que impregna esses traços negativos no caráter humano; além disso a carne de determinados animais embrutece o coração e mata sua sensibilidade espiritual.
As pessoas das primeiras gerações entenderam isto equivocadamente, no entanto, como significando que humanos e animais eram iguais, com expectativas e padrões iguais. Isso levou à degeneração da sociedade em violência e corrupção; pois se o ser humano nada mais é que um outro animal, então matar um homem é equivalente a matar um animal. Foi essa atitude e comportamento que levou D’us a purificar o mundo com o Dilúvio.
Após o Dilúvio, D’us estabeleceu uma nova ordem mundial. As pessoas precisavam reconhecer as obrigações morais e o Divino propósito confiado à humanidade. Para deixar isso claro, D’us disse a Nôach que a humanidade pode e deve comer a carne de animais. Nosso domínio sobre os animais destaca nossa superioridade e nos lembra que estamos encarregados com Divina responsabilidade de aperfeiçoar o mundo. Para minimizar seus efeitos negativos sobre os seres humanos, quando a Torá foi outorgada D’us proibiu a carne daqueles animais que têm uma influência negativa sobre a alma.
Quer dizer que:
- Não somos animais
- Pôr-se igual aos animais, mesmo moralmente, implica degeneração a um estado caótico generalizado de violência e corrupção
- O Sauron da Torah assassinou milhões de seres humanos, incluindo inúmeras crianças, e bilhões de outros animais pelo simples motivo de que os seres humanos se consideravam iguais aos animais
- A ordem certa para "Deus" é que nós somos superiores aos bichos
- A carne de certos(!) animais é proibida não porque não é ético matá-los, mas porque ela tem uma "influência negativa" sobre a alma.
Ah essas religiões que nos ensinam cada coisa uma mais nojenta que a outra... Respeito pessoas que não tentam me empurrar goela abaixo doutrinas religiosas, mas as religiões abraâmicas definitivamente não me inspiram nenhum respeito.
E pensar que eu estava procurando argumentos que tornassem o judaísmo favorecedor do vegetarianismo...
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Aviso aos/às leitores/as sobre mudança do blog
Como eu disse abaixo, o blog está mudando, está se transformando. Portanto, é de se esperar se o consciencia.blog.br se tornar um blog em branco a qualquer momento. Mas vou ajeitar as configurações de modo a transformar as cores e vou transferir os posts do Consciência Efervescente para o novo Arauto da Nova Consciência e recuperar os links, de modo que vocês verão os velhos posts por lá.
Aguardem a evolução deste veículo transmissor das ideias da nova consciência.
Novo blog em construção: Arauto da Nova Consciência
O Consciência Efervescente está se mudando para o Wordpress e passará a se chamar Arauto da Nova Consciência.
Em pouco tempo (até amanhã) já vai estar funcionando plenamente.
Por que não vou rezar pelo Haiti
Aviso: não vou rezar, mas à minha maneira manifesto meu total pesar pela tragédia do Haiti e minha intenção de ajudar como puder em termos de solidariedade humanitária. Não preciso de religião para demonstrar meus pêsames e solidariedade.
Depois do terrível terremoto que devastou o Haiti esta semana, os meios de comunicação e os clérigos cristãos estão pedindo para que rezemos pelo Haiti. Que rezemos para que “Deus” acuda e ajude os sobreviventes e receba com carinho os mortos, estimados entre 45 mil e 100 mil. Mas, por motivos óbvios – embora não óbvios para cristãos, embora eu sinta muito pela tragédia e, se puder, vá ser solidário à minha maneira com a população haitiana, não vou rezar nada.
Pelo contrário, manifesto ainda mais condenação a essa religião que nos manda orar para uma ilusão que elas criaram, chamada Deus, que dizem que não deixa uma folha cair de uma árvore contra sua vontade mas é incapaz de impedir um terremoto que matará milhares e milhares de seres humanos e animais de outras espécies.
É claro que não culpo o cristianismo pelo terremoto, mas evidencio mais esse vexame da fé cristã, que se mostra crente num deus comprovadamente incompatível com a realidade, e minha repulsa pela atitude dessa religião de, apesar de todas as evidências em contrário, insistir em “ensinar” às pessoas que a divindade é onipotente, bondosa, protetora, o bem absoluto, características que, para serem refutadas, não precisaram de nenhum ateu da estirpe de Richard Dawkins, mas apenas o mero desenrolar dos fenômenos da Natureza. E deixo claro todos os motivos por que não vou rezar pelo Haiti, avisando que falo aqui como se “Ele” existisse.
Não vou rezar porque não vai ser agora, depois de décadas ignorando todo o duradouro sofrimento do povo haitiano, mergulhado em miséria extrema, ditaduras sangrentas e instabilidade política por anos e anos e dependente de ajudas humanitárias e intervenções de forças militares de paz para não cair no caos absoluto, que “Deus” vai fazer algo que preste lá.
Por que ele, que por tanto tempo deu as costas para quem sofreu com a tirania de Papa Doc e Baby Doc, ignorou os apelos do mundo para que a pobreza fosse erradicada ou ao menos aliviada ali, fez vistas grossas para a destruição ambiental que grassa por ali há muito tempo e permitiu cerca de 50 mil mortes (segundo estimativas da Cruz Vermelha) e milhões de desabrigados no terremoto, só agora é que vai passar a ser bom com o Haiti, coisa que nunca foi? Por que quem ignorou orações por décadas só vai passar a atendê-las depois de múltiplas catástrofes seguidas já terem acontecido?
Jesus estava errado. No mínimo dois versículos da Bíblia contendo falas dele...
“E Jesus lhes disse: Por causa de vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível. (Mateus 17:20)”
“Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. (Mateus 18:19)”
...falharam totalmente.
Primeiro, o que nos levaria a acreditar que ninguém no Haiti, nenhum dos mortos ou desabrigados, tinha fé em Deus? O que nos induziria a crer que nenhum mísero indivíduo entre os cerca de 95% cristãos da população daquele país tinha fé suficiente para incitar o “Senhor” a dar sua mão divina àquela tão pobre nação?
Segundo, se duas pessoas são atendidas ao pedirem a Deus a mesma coisa em termos de bons desejos, o que nos faria acreditar que não havia ao menos dois indivíduos orando pela paz e recuperação no Haiti? A estimativa é que nada menos que milhares ou milhões de pessoas estavam engajadas nessa oração pelo país, mas não foram atendidas em momento algum. Pior, foram “contempladas” depois de tudo por um terremoto que danou destruição e empurrou aquele país muitos passos para trás no processo de reabilitação socioeconômica e política.
Coroando esse momento “Fé Cristã FAIL”, vemos o caso da benfeitora brasileira Zilda Arns, católica devota, cuja morte se deu em circunstância emblemática. Ela morreu no terremoto, imagine, dentro de uma igreja lotada de gente religiosa. Seu filho disse que sua fatalidade se deu enquanto ela discursava para aquelas pessoas, com palavras de esperança, solidariedade e autêntico amor ao próximo. A Pastoral da Criança, por sua vez, afirmou que sua morte aconteceu depois do discurso, mas ainda assim dentro da igreja lotada.
O que teria feito Deus matar (ou permitir a morte de) Zilda e mais tanta gente em situação tão catastrófica? A missão dela na Terra não tinha terminado, muito pelo contrário – ela estava em pleno ofício, trabalhando a todo vapor. Por que o final de sua vida teve de ser tão inconveniente – numa tragédia, no meio de muitas outras pessoas e no meio de seu vigoroso trabalho?
Ela e aquelas pessoas eram religiosas devotíssimas, e mesmo assim não foram merecedoras da proteção de Deus que a religião cristã afirma existir e pela qual tantos oram todos os dias. Nem gente tão fiel e temente a Deus, como Zilda Arns, mereceu sua guarda, sua preservação do mal trágico. Por que, de entidade que não deu a mínima para a população e para as orações de todo o planeta e abriu as portas para a catástrofe, ele mudaria de caráter e de ideia agora? Por que só agora, depois de permitir tanta desgraça a despeito das preocupações de todo o mundo, ele passaria a nos ouvir?
Apesar de todas as evidências, no entanto, infelizmente não só vão insistir para que oremos, como irão usar os velhos subterfúgios da fé sem lógica: “Deus sabe o que faz” (desprezar um país, permitindo que seja abalado pela mais ampla variedade de tragédias e problemas e deixar para trás um cenário com milhares de corpos espalhados e destruição e desespero reinando absoluto é tudo o que ele sabe fazer?), “Zilda será recebida com festa no céu” (como se uma tragédia fosse motivo de festa!), “Deus vai amparar essas pessoas” (como se tudo o que ele permitiu de ruim e deixou de fazer de bom até hoje não valesse mais)...
Por tudo isso, minha resposta a quem pedir para eu e outras pessoas rezarem pelo Haiti será: não, não vou rezar. Por tudo que expliquei acima, não faz a menor lógica rezar. Não vou insistir nessa pueril fantasia religiosa que foi devastadoramente desmitificada pelas forças da Natureza. Se a esperança em Deus nada mais foi que uma ilusão para o Haiti até hoje, agora é que não faz mais sentido nenhum.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
ACORDA! (Parte 21: Zilda Arns, católica, morreu dentro de uma igreja que desabou!)
Zilda Arns morreu enquanto discursava em igreja para religiosos, afirma filho
Agência Folha
Nelson Arns Neumann, filho de Zilda Arns, disse nesta quarta-feira em Curitiba (PR) que, quando as paredes da igreja em que sua mãe estava no Haiti desabaram, a médica discursava à comunidade religiosa haitiana.
O último parágrafo do discurso, que ela não chegou a terminar, falava da importância de cuidar das crianças "como um bem sagrado", promovendo o respeito a seus direitos e protegendo-os, "tal qual os pássaros cuidam dos seus filhos".
Neumann, também médico e coordenador nacional adjunto da Pastoral da Criança, recebeu a informação da chefia de gabinete da Presidência. Ontem à tarde, por todos os cantos do edifício-sede da Pastoral, em Curitiba, havia pessoas chorando.
Se uma católica abençoável como Zilda, que mereceu mais títulos de santidade que grande parte dos padres, bispos e cardeais de sua religião, morreu tragicamente numa igreja que desabou, em meio a muitas pessoas religiosas, como é que ainda pedem para que rezemos?
Se "Deus" consentiu completamente que Zilda Arns e mais uma multidão de religios@s morressem de forma tão aterradora e catastrófica, por que eu ainda tenho que esperar que "Ele" ainda faça algo que preste pelo povo haitiano?
Sim, o artigo sobre Deus, Haiti, Zilda, a igreja e o terremoto vem aí hoje. Espero terminar o texto em pouco tempo, depois que eu acordar e almoçar.
ACORDA! (Parte 20: Rezar pelo Haiti? Não rezo!)
Por que eu deveria rezar para um deus que permitiu que 100 mil pessoas, incluindo incontáveis crianças, morressem de forma tão desgraçada? Considerando que "Deus", segundo a imaginação cristã, não deixa que uma folha caia contra sua vontade, foi da vontade dele que essa tragédia acontecesse, já que ele não impediu tal catástrofe.
Se em nada adiantou milhares ou milhões de pessoas rezarem pela recuperação do Haiti, que vinha de guerra civil e já estava sofrendo com uma situação de pobreza extrema generalizada, dependendo de ajuda humanitária e intervenção de forças militares de paz estrangeiras para não cair no caos absoluto, por que deveríamos rezar agora?
Sinceramente eu sinto pena das pessoas que, enganadas e iludidas pela religião, ainda esperarão em vão que seu deus, depois de anos e anos permitindo o miserável sofrimento do povo daquele país mergulhado na miséria socioeconômica e humanitária, faça algo bom no Haiti depois que mais de cem mil pessoas, incluindo a mais que respeitável Zilda Arns, devota católica, morreram da pior forma possível.
Provavelmente hoje virá um artigo meu, expressando de forma mais estendida minha opinião sobre mais esse vexame da fé cristã.
Imagem para refletir
Informações do perfil de alguma pessoa no Orkut, que obviamente não vou identificar. "Fala", com o equivalente a um sorriso no rosto, que odeia ler e é apreciador/a assídu@ da MTV e das novelas da Globo.
É um exemplo pertencente a uma enorme parte da juventude de hoje, que odeia ler e dá preferência à Caixa de Pandora Doméstica chamada televisão.
Por que tantas pessoas estão condenadas à incultura, à alienação cultural e literária? Parte da resposta está na educação rabujenta que temos hoje, que não incentiva à leitura e não combate a seletividade cultural.
Já comentei antes como fui desestimulado à leitura por uma pedagogia que me obrigava a ler sob pena de notas baixas. Pelo visto, infelizmente isso está acontecendo atualmente. E digo: precisamos de estudos que analisem a forma das escolas de fazer crianças e adolescentes lerem, seria um tema extremamente interessante. Dependendo do que eu ler nos próximos anos, eu mesmo poderei fazer um estudo desse em médio prazo.
Quanto à televisão, o que eu posso fazer hoje é imaginar e sugerir, talvez até para mim mesmo, um outro estudo: como as escolas lidam com a anticultura transmitida pela TV?
Se o sistema pedagógico começar a ser reformado nesta década, de modo que comece a se preocupar em plantar valores éticos e seletividade cultural, a geração nascida nesta década de 2010 será a primeira a ser beneficiada. Quanto às gerações das décadas passadas, me pergunto: será que podemos fazer algo ainda para salvá-la da escuridão da alienação e do inculto?
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Google, China e tirania governamental na internet, segundo Amanda Costa
Amanda Costa, leitora do Acerto de Contas e dona do site EIMídia, contribui frequentemente com artigos para serem publicados lá. São artigos interessantes que costumam enfocar educação, tecnologia e a oportuna relação entre ambas.
Ela faz coro a mim quando apoia que o Google caia fora da China em resposta à política totalitária de censura e ataques ao ativismo de direitos humanos promovida pelo regime chinês.
O Google, a China e o entulho autoritário
por Amanda Costa, colaboradora do blog Acerto de Contas
É claro que um dia essa bomba iria estourar. Internet não combina com autoritarismo, e quem achava que a empresa Google (e seu buscador de mesmo nome) duraria muito tempo na China, apostou no casamento errado.
Achei uma pouca vergonha a Google ter aceitado entrar na China subordinando-se ao autoritarismo do regime político que opera naquele país, aceitando colocar filtros que impeçam os chineses de terem acesso a informações sobre coisas perigosas como democracia e afins. Foi um acordo que, logo de cara, cheirou muito Mao, aliás, muito mal.
Esse tipo de acordo a China realiza com toda empresa estrangeira que entra lá, mormente as ciberempresas que lidam com informações, caso da Google. A Yahoo também já andou por lá, se entranhou com o regime e vendeu seu “negócio da China” em 2005 para um grupo árabe, embora tenha permanecido como uma acionista minoritária. Essa postura do governo chinês é herança do autoritarismo esquerdista que ainda persiste por lá, mesmo que o comunismo já tenha sido banido há tempos do meio daquele povo amarelo.
A propósito, a China, hoje, pratica o que há de mais ultrapassado em matéria de capitalismo, utilizando em sua indústria os combustíveis mais poluentes que existem, vendendo brinquedos cheios de material tóxico, medicamentos falsificados e mão de obra altamente explorada que não tem garantia sequer a básicos direitos trabalhistas e a se organizar em sindicatos.
Ainda assim, a economia chinesa cresce 8, 9, 10 por cento ao ano, engolindo a fogo os recursos naturais, envenenando criancinhas e velhinhos impotentes all around the world, explorando os que estão no “mais baixo da escala do trabalho” e praticando um câmbio que faz com que os produtos chineses sejam mais competitivos que os dos concorrentes dentro dos próprios países produtores. Vai ser esperto assim na China!
Mas o fim da picada, pelo menos no que tange ao ciberespaço, foi a invasão de hackers, provenientes do território chinês, que permitiu o roubo de dados de usuários do Gmail. Os usuários cometeram o grande crime de serem ativistas dos direitos humanos.
Lembrei-me da parábola do escorpião:
Certa vez, o escorpião desejava atravessar um rio, mas como não sabia nadar ficou na margem à espera de quem pudesse ajudá-lo. Uma tartaruga apareceu na água, nadou até a margem e se ofereceu para fazer-lhe a travessia. O escorpião, prontamente, acomodou-se no topo da cabeça daquele réptil tão gentil. Após atravessar o rio, o escorpião preparava-se para pular em direção a terra quando resolveu, antes, enfiar o ferrão na cabeça da tartaruga, e ainda lhe disse: “Desculpe, mas é da minha natureza”.
Ingenuidade da Google achar que o governo chinês não lhe daria uma bela ferroada ao final da história. Minha avó, sábia, sempre me disse que quem muito se abaixa deixa o cofrinho à mostra. Quem aceita trabalhar com censores, rebaixando-se a uma lógica anti-humanística da informação, não pode esperar um tratamento cordial e respeitoso.
Como resposta, a Google disse que vai acabar com a censura em seu mecanismo de busca na China. Ora, JÁ NÃO ERA SEM TEMPO, minha filha! Não era nem para vocês estarem operando por lá nessas condições. A iniciativa, embora tardia, pode resultar na saída da empresa do território chinês, uma vez que o governo não vai aceitar a liberdade de informação.
De uma forma ou de outra, esse caso escancara que o casamento entre a internet e o acesso controlado à informação é um fracasso absoluto. Não pode haver condescendência com esse tipo de postura. Liberdade informacional vigiada é coisa do tempo das mídias de comunicação unilateral, não pode se aceito na rede.
Frase da semana (10-16/01)
"O trabalho social precisa de mobilização das forças. Cada um colabora com aquilo que sabe fazer ou com o que tem para oferecer. Deste modo, fortalece-se o tecido que sustenta a ação e cada um sente que é uma célula de transformação do país." Zilda Arns, morta hoje pelo terrível terremoto no Haiti, sobre como cada pessoa pode exercer seu papel de cidadã/o em prol da melhoria do país e do mundo
Essa é a homenagem do Consciência Efervescente a Zilda Arns, mulher que, como diz Pierre Lucena, "fez mais pelo combate à desnutrição infantil do que muitos governos que passaram pelo país".
Ela não será recebida em lugar nenhum por nenhuma alma conhecida ou anônima, ao contrário do que fala a imaginação iludida d@s cristã/o/s, mas permanecerá "viva" na memória do povo brasileiro por sua cidadania a que devemos reverência.
O reacionarismo da direita contra o Programa Nacional de Direitos Humanos, por Raphael Tsavkko
Raphael Tsavkko, do Blog do Tsavkko - The Angry Brazilian, publicou um texto genial em seu blog mostrando como o Programa Nacional de Direitos Humanos vem incomodando as facções mais imprestáveis do cenário sociopolítico brasileiro -- ICAR, ruralistas, militares reacionários, "PIG" (Partido da Imprensa Golpista) etc.
Ele fez uma ligação interessante que eu ainda não tinha consolidado: se a imunda direita brasileira não gostou do PNDH, é porque o programa é muito bom para a sociedade.
Faço questão de divulgar esse texto, porque o povo precisa saber a verdade, ligar os pontos e perceber o que o "PIG" e outras entidades estão querendo impedir que se torne uma realidade: uma sociedade mais justa, ainda que só um pouco mais.
O 3º Programa Nacional de Direitos Humanos e a reação da direita
Por Raphael Tsavkko, do Blog do Tsavkko
A apresentação recente do terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) nos trouxe questões interessantes, além de polêmicas.
Mas uma certeza fica, se a direita – encabeçada pela Igreja, Ruralistas, Milicos, PIG e pelo que há de mais detestável no país – não gostou, é porque o projeto é excelente.
E, de fato, o projeto traz avanços substanciais na discussão em torno dos Direitos Humanos e na efetivação de alguns mecanismos que, espera-se, tornem a vida do povo brasileiro muito mais fácil (licença poética) e justa.
Tem para todos os gostos, desde um processo mais justo e participativo de resolução de conflitos agrários e posse de terras por parte dos verdadeiros donos – o povo e não os latifundiários que usurparam nossa terá, vide Kátia Abreu e Cia -, passando por uma chamada à democratização da mídia – o que causa pavor na mídia tradicional, de extrema-direita e totalmente descompromissada com a verdade dos fatos – até a tentativa de, senão revogar, passar por cima de alguns dispositivos da Lei da Anistia e buscar, através da Comissão da Verdade, investigar definitivamente o que foi feito com os militantes políticos assassinados e “desaparecidos” pela Ditadura Militar (Ditadura, Otavinho, lembre bem!).
O programa talvez peque por não afrontar diretamente a Lei da Anistia, não buscar derrubá-la, com todas as letras, mas pela reação absurdamente desmedida e apavorada do entorno militar – inclusive com o Ministro da Defesa, homem de ligação DemoTucano ou FHC-Serrista e a cúpula militar ameaçando a demissão em massa – podemos ter a certeza de que o estrago foi feito e que os reflexos serão imensos. Enfim, haverá (esperamos) uma devassa na área militar, o que é benéfico em todos os sentidos.
Do lado da Imprensa, o programa visa garantir a gestão social da mídia, ou seja, permitir que o povo tenha em suas mãos o poder que, hoje, está apenas nas mãos de meia dúzia de famílias mafiosas e arraigadas no poder – vide Confecom. Mas, é claro, a Confecom ameaça muito mais os tubarões da mídia do que o Programa em si. Gritam por “A” quando querem dizer “B”.
Raphael Neves, meu xará, do Politika etc acertou em cheio, a reação foi exagerada. O governo FHC já tinha dado alguns contornos no segundo PNDH e pesem as novidades neste novo programa, nada justifica a grita geral – ao menos não no tom usado, e especialmente por parte do PIG.
Mas, como não deixa de ser óbvio, o governo é do PT, é Comunista, é estatizante – como adora afirmar o boneco de macumba da Globo, Alexandre Garcia, sempre que tem nas mãos o microfone no Bom Dia Brasil. Deve ser alguma espécie de fetiche.
De qualquer maneira, o projeto veio de um governo revanchista, um governo coalhado de terroristas e isto a Direita não pode nem jamais aceitará. (ironia à toda)
Ouvir a voz do povo, dar voz ao povo, democratizar os processos decisórios em diversas áreas, tornar mais fácil o acesso à informação, facilitar a resolução de conflitos agrários dentre outras propostas são, em geral, inaceitáveis para as elites que controlaram o país por mais de 500 anos.
E não é à toa que falamos em 500 anos, salvo curtose raros períodos (todos com suas falhas óbvias, rompantes magalomaníacos, flertes com totalitarismo ou totalitarismo descaradoe etc), o Brasil sempre esteve nas mãos de regimes entreguistas, de regimes que preferiam usufruir das benesses de um Estado controlado de fora e por fora.
Vivemos em eras extremas, ora o nacionalismo com cores que nos lembravam Mussolini ou megalomaníacos quaisquer (sinônimos quase) ou a inveterada e constante venda de tudo que pudesse ser privatizado por algum preço e de preferência o menor (e neste ponto FHC foi um mestre, Serra é seu pupilo).
Mas, enfim, da mesma forma que não consigo enxergar razão para tanto desespero da direita, não posso também assumir um tom ufanista de que tudo se resolverá como que por um passe de mágica apenas por um programa.
Sejamos francos, se o governo quisesse, tivesse vontade política, a Anistia seria revogada e não precisaríamos de subterfúgios ou atalhos – o que será que escondem Dirceus, Genoínos e Cia que não pressionam pela abertura dos arquivos? – e diversas reformas na área de comunicação e mídia e, sem dúvida, na reforma agrária que este país tanto precisa, poderiam caminhar muito mais rapidamente do que vemos hoje.
Temos ministros que se odeiam, das mais diversas correntes ideológicas, ou melhor, vendidos ao patrão eu paga mais. Temos um ministro da Defesa que defende os crimes dos militares, um ministro das Telecomunicações vendido à Telefônica e um ministro da Agricultura que prefere apoiar o que fala Kátia Abreu – e sua defesa do extermínio de qualquer coisa que cheire ao MST ou à justiça social - do que trabalhar por uma agricultura social e justa.
"O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que o programa "aumentará a insegurança jurídica no campo", além de "fortalecer organizações radicais", como o Movimento dos Sem-Terra (MST). Ele endossou as críticas da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), contrária ao item do decreto que prevê a audiência de uma câmara de conciliação antes da reintegração de posse de uma propriedade invadida."
Enfim, a ideia antiga de que o governo está em disputa permanece, mas, hoje, vejo que o governo parece gostar e se alimentar desta disputa. Pelo menos, no caso da SEDH, conseguimos algumas vitórias.
Mas o que fica é, por mais que tenha falhas, por mais que não seja perfeito e segurando o tom ufanista e triunfalista, o Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, se aplicado em sua totalidade, nos trará avanços claros e a possibilidade de uma sociedade um pouco mais justa.
Google pode abandonar a China. Avante, Google!
Google ameaça sair da China após ataque
No final desta terça-feira (12) o Google ameaçou encerrar suas operações na China - fechando a filial local e tirando do ar o serviço de busca - após sofrer um ataque em seus servidores.
De acordo com o New York Times, a empresa teve contas de Gmail atacadas, com ativistas de direitos humanos e outras 20 empresas de setores diversos como alvos principais.
Devido à intensidade e ao alto nível de tecnologia empregados na invasão, analistas externos acreditam que o ataque tenha partido do próprio governo. A decisão do Google, apesar de não explicitar a acusação, é baseada em evidência suficientemente concreta, afirma o Times.
Em post no blog oficial do Google, o vice-presidente sênior de desenvolvimento corporativo, David Drummond, afirmou que "nas próximas semanas estaremos discutindo com o governo[sic] chinês um cenário em que possamos operar um mecanismo de busca sem filtros e completamente legal". [A cúpula do Google, pelo visto, também acredita em fadas, elfos e na "volta" de Jesus.]
As declarações apontam para o fim das operações do Google na China caso o governo local não concorde com os termos propostos pelo Google[, o que é quase certo]. A entrada da empresa americana no gigante asiático, em 2006, aconteceu cercada de polêmica na exigência da China em filtrar parte do conteúdo compilado pelo sistema do Google.
Apoiarei o Google em sua iniciativa, inevitável se a notícia condisser totalmente com a realidade. Será uma grande baixa no mundo totalitário chinês. Mas é uma pena que a saída do Google vá ser "justificada" com uma mentira pela Xinhua ou por qualquer outro veículo de imprensa estatal dentro da China, mantendo @s chinesæs ignorantes da realidade. Porque a mentira e a ignorância são pilares fundamentais de qualquer ditadura.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Sobre os geoglifos da Amazônia
Google Earth ajuda estudo sobre antiga civilização amazônica
O uso das imagens de satélite disponibilizadas pelo serviço Google Earth teve importância fundamental em um estudo realizado por historiadores e arqueólogos que localizaram vestígios de uma civilização antiga no sudoeste da Floresta Amazônica, próximo à fronteira entre Brasil e Bolívia.
O estudo, realizado por pesquisadores das Universidades Federal do Acre e do Pará e do Instituto Iberoamericano da Finlândia, foi publicado na edição de dezembro do jornal Antiquity. A pesquisa identificou mais de 200 estruturas de terra que estão sendo chamadas de "geoglifos" através do uso de imagens de satélite do Google Earth e de fotos feitas de aviões. Os arqueólogos e historiadores acreditam que as marcas geométricas esculpidas na terra são vestígios de estradas, pontes, fossas, avenidas e praças que serviram de base para uma civilização sofisticada que poderia ter tido uma população de mais de 60 mil pessoas e que teriam vivido em uma área de mais de 250 km entre os anos 1244 e 1378.
Os pesquisadores explicam que as descobertas sobre estes vestígios só vieram à tona nos últimos 30 anos devido às dificuldades de visualização destas marcas. A civilização teria deixado a região há pelo menos 500 anos e desde então a vegetação encobria os vestígios. Mas, nos últimos 30 anos, com o desmatamento, as antigas estruturas se tornaram visíveis, principalmente quando vistas do céu. As primeiras marcas foram visualizadas por um dos pesquisadores em 2006, quando pesquisava imagens na internet através do Google Earth.
Se os geoglifos só se tornaram visíveis por causa do desmatamento, da destruição insana da floresta por intere$$es de pecuaristas e madeireiros, eu sinceramente preferiria que tivessem permanecido cobertos pela antiga mata frondosa e vívida.
Eu mesmo me impulsionei a procurar os geoglifos no Google Earth. Mas, por ver as marcas de desmatamento, feridas cravadas na floresta no Acre e em Rondônia, me deu um desgosto tamanho que desisti de procurar.
Perguntas indiscretas (Parte 10, sobre a Venezuela chavista)
Diante de diversas notícias sobre apagão, inflação, desvalorização cambial etc. na Venezuela, me pergunto: esse divulgado malogro das políticas de Hugo Chávez é verdade, está sendo exagerado ou é mera mentira de uma imprensa inimiga da "revolução"?
Aposto num intermediário entre a verdade e o exagero.
Montanhas esburacadas pela mineração, cérebros esburacados pela estupidez
Cientista dos EUA protesta contra projeto controverso de mineração
Dias depois da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) dar sinal verde a um projeto de mineração de carvão em montanhas, dezenas de cientistas de todo o país pediram a proibição da prática.
A mineração de carvão em montanhas, difundida no Planalto dos Apalaches, envolve a explosão do topo das montanhas e a remoção dos resíduos de rochas em vales, onde há córregos que são enterrados e poluídos com sulfatos e metais pesados.
A prática tem impacto irreversível sobre a vida do rio e a saúde humana, alertam os cientistas. Mas suas chamadas parecem estar recaindo sobre ouvidos surdos.
Em março de 2009, a EPA disse que daria mais flexibilidade na concessão de licenças para mineração. Na última semana, a entidade autorizou 45 projetos de mineração em Lincoln County, na Virginia Ocidental--com permissão para expansão. A empresa Patriot Coal concordou em reduzir a extensão para enterrar córregos, de 10 km para 5 km.
Margaret Palmer, da Universidade de Maryland, ainda tem esperanças de que o governo preste atenção ao alerta dos cientistas.
Autorizar uma brutal devastação ambiental e paisagística em nome da queima do carvão, combustível mais que imundo, em tempos em que a Terra pede socorro por causa das mudanças climáticas causadas em parte pelo mesmo carvão e pelo petróleo, é uma estupidez digna dos trolls da Terra-média de J.R.R. Tolkien -- maus, brutos e burros.
Brasil e seu governo fomentando atividades altamente poluentes e a proliferação dos automóveis. China comemorando a hipertrofia do seu mercado automobilístico e matando seus homens em minas de carvão. EUA dando prosseguimento à destruição dos montes Apalaches em nome do carvão. Nossa bárbara espécie está realmente fazendo questão de dar cabo à primeira grande extinção em massa causada por uma espécie animal na história da Terra.
Parabéns a essas entidades políticas imbecis que estão ajudando a destruir a vida no planeta. O fiasco de Copenhagen foi só a proclamação de que elas não dão a mínima para os problemas ambientais que nós e o restante da biosfera estamos sofrendo.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Praga automobilística ainda maior na China
China se firma como maior mercado automotor mundial com recorde de vendas
A venda de automóveis chegou a 13,64 milhões de unidades em 2009 na China, um aumento de mais de 45% em relação ao ano anterior, que confirma o gigante asiático como o maior mercado automotor do mundo, segundo números anunciados nesta segunda-feira.
"As vendas superaram as 13,644 milhões de unidades", indicou a Associação Chinesa de Montadoras (CAAM), citada pela agência oficial Xinhua.
Isto representa uma alta de mais de 45% numa comparação com as vendas de 2008, que totalizaram 9,38 milhões de unidades, segundo dados da CAAM.
Além disso, a produção da indústria automobilística chinesa superou as 13,791 milhões de unidades, segundo a mesma fonte.
No início de 2009, o mercado automotor chinês se transformou no maior do mundo, superando o dos Estados Unidos, muito afetado pela crise econômica mundial.
Uma das razões do êxito chinês certamente foram as medidas de incentivo fiscal para aumentar o consumo neste setor.
"Somos otimistas para 2010, mas será difícil alcançar as taxas de crescimento de 2009", indicou o especialista John Zeng, da IHS Global Insight de Xangai, prognosticando uma alta de 9 ou 10% para este ano.
John Bonnell, diretor da J.D. Power Asia-Pacific Forecasting, com sede em Bangcoc, aposta em um aumento nas vendas de 7%, sustentadas pela continuação das medidas de apoio governamentais.
Sobre essa estúpida idiocracia automobilística, francamente antiambiental, um comentário muito bom de Maurício Gomide, que comentou meu artigo mais recente no blog Debata, Desvende e Divulgue:
Enquanto hoje nossos governantes incentivam o consumo materialista, criando créditos, desviando recursos, discursando, amanhã - quando o dragão da realidade aparecer – estarão chorando de arrependimento e remorso por tal cegueira mental. Mas o assunto, muito bem abordado por você, faz parte da linguagem econômica que impera na vida dos homens encarregados de conduzir a sociedade.
Assim como você aponta essa realidade pontual, esse procedimento predatório é geral. Faz parte do sistema capitalista, e os governantes nada mais são do que os executores de ações condizentes com os interesses de lucro, lucro, lucro para seus patrões. Você sabe que a ganância não tem limite. Assim, a produção e conseqüente consumo de automóveis de passeio será crescente e infinita. Agora, abra-se o cérebro de alguém capaz de entender para onde a humanidade caminha. Nós ambientalistas enxergamos facilmente que a atividade econômica, focada no desenvolvimento, crescimento, progresso, só nos pode levar ao suicídio. Lamentável é que a maioria não tem a capacidade mental de perceber tal destino. Por isso, esses incapazes promovem discursos, festas, felicidades artificiais e superfluidades. Alegria, alegria... antes do caos.
Agora o comentário meu: se depender da China e seu regime totalitário, o mundo será totalmente destruído em nome do progresso de sua população de mais de um bilhão de pessoas. Mas pelo menos os patrões morrerão em camas de dinheiro e isso os fará felizes no fim da vida.
Leia mais:
Aumento nas vendas de carros, nada o que comemorar
domingo, 10 de janeiro de 2010
Até os combustíveis são testados em animais!
Depois de um passeio excelente hoje nas cachoeiras de Bonito (passear na natureza sempre é excelente), um aviso num posto de gasolina do Recife me chamou a atenção:
É triste: até combustíveis são testados em animais! Animais (de espécie não especificada) foram envenenados com vapor de combustível e desenvolveram câncer. Certamente @s criminos@s vestid@s de bata deixaram os bichos sofrendo, agonizando no biotério com um câncer destruindo seu corpo e jogaram seus corpos no lixo, como um rejeito qualquer -- ou guardaram num freezer para estudos posteriores.
Se o veganismo só fosse definido para quem boicota 100% dos produtos industrializados testados em animais, ele seria impossível e inalcançável em nossa sociedade zoonazista.
sábado, 9 de janeiro de 2010
A tragédia da energia suja chinesa (Parte 4)
Doze mineiros morrem em incêndio na China
Doze mineiros morreram em um incêndio ocorrido numa mina de carvão do leste da China, informou neste sábado a agência Nova China. Uma investigação foi aberta para identificar as causas do incêndio.
Os acidentes são comuns nas minas chinesas, em particular nas de carvão, onde 3.215 trabalhadores morream em 2008, segundo estatísticas oficiais, consideradas abaixo do número real pelas ONGs.
Mais uma para a macabra coleção de tragédias humanas, paralela às tragédias ambientais que a queima desse carvão está causando.
Frase da semana (03-09/01)
"Sucos de cajá, umbu e graviola/Faliram a poderosa Coca Cola" GOG, na música Rua Sem Nome, Barraco Sem Número
No meu caso, foram os sucos de acerola e maracujá que faliram a Coca-Cola aqui em casa.
Até março de 2008 eu não vivia sem grandes copos de refrigerante de cola. Coca-Cola, Pepsi e outras marcas de refrigerante preto eram onipresentes em minhas refeições. Meu pai alertava frequentemente para o perigo que meu quase-vício (ou vício mesmo?) nesses refrigerantes representava à minha saúde. Em cinco vezes em dez anos (1998-2008) ele suspendeu esses refrigerantes das refeições de casa, mas eu reagia com greves de almoço. Não comia mais se não tivesse alguma-coisa-cola.
Felizmente, em março de 2008, a consciência de que aqueles refrigerantes não me faziam bem, que já estava em crescimento desde poucos meses antes, chegou ao seu máximo e deixei definitivamente de tomar qualquer refrigerante. Mesmo meu pai, que era inimigo de refrigerantes pretos, achou esquisita minha mudança.
Com o tempo, o suco de acerola e, pouco mais tarde, o de maracujá passaram a ser bebida "obrigatória" para mim. De bebida hoje, só tomo água, esses sucos, leite de soja e chás. Diferentemente da realidade ideal que GOG cantou, os sucos que expulsaram a Coca-Cola de minha vida não foram de cajá, umbu e graviola, mas de acerola e maracujá. Dois sucos divinos que delicio muito hoje.
A nova consciência também valoriza a saúde, então valorize a sua. Expulse o cigarro e os refrigerantes de sua vida e seu corpo irá agradecer muito, inclusive com anos de vida a mais.
"Não insista, vou continuar errando e não quero conversa" (Parte 2, breve autorreflexão)
Sobre o caso do sujeito que não arredou o pé de continuar errando, pensei direitinho. Errou ele por persistir no erro e errei eu também por ter me portado como se as causas que defendo fossem óbvias, coisa que não são. Errei eu por, em vez de transmitir uma breve conscientização off-topic e apontado onde estava a falha do indivíduo, ter buzinado "isso está errado" sem ter explicado sucintamente por quê.
Para mim, adepto de grande parte dos ideais da nova consciência, incluindo o combate aos vícios sexistas e especistas de linguagem, é um absurdo evidente utilizar o mesmo nome (homem) para nomear o indivíduo masculino e a totalidade de sua espécie, tendo essa utilização características claras de androcentrismo e exclusão sexista. Mas, para 98% da população, não existe essa obviedade. Para essa enorme porção das pessoas, falar "o homem" em referência ao ser humano de qualquer gênero nada tem a ver com afirmar explicitamente algo do tipo "Concordo que os homens são mais importantes que as mulheres e são superiores a elas".
A nova consciência tem a proeza de enxergar onde o senso comum não alcança. E nem tod@s incorporaram a nova consciência, seja por rejeitá-la, parcial ou totalmente, seja por não conhecer a lógica de suas ideias e causas.
Lamento por ter me portado com ares de que "isso eu enxergo como errado, logo é óbvio para qualquer um/a que isso está errado", e digo que, se isso voltar a acontecer, vou reconhecer a falha imediatamente.
Não admiro a atitude de quem insiste no erro mesmo depois de alertad@, mas também não é admirável apontar uma falha de maneira inadequada, sem cortesia, enxergando uma obviedade que (ainda) não existe.
O melhor a fazer da próxima vez, caso eu realmente não possa deixar passar um "homem" ou um "dono" inadequado, direi algo como "Fulan@, utilizar 'homem'/'dono' nesse sentido não é adequado, tendo em vista que tal forma de usar essa palavra reafirma a dominação masculina/o status dos animais de propriedade dos seres humanos."
Obrigado a dois colegas irmãos de consciência que viram o ocorrido e, por e-mail, com críticas construtivas e muito saudáveis, me ajudaram a refletir de modo a localizar mais rapidamente os problemas na questão.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Aumento nas vendas de carros, nada o que comemorar
A recente notícia da explosão de venda de carros foi comemorada pela indústria, que viu serem vendidos mais de 50% a mais de automóveis em dezembro do ano passado do que no mesmo mês de 2008, e 16,5% de diferença positiva entre dois meses consecutivos*. Entretanto, se olharmos por um ponto de vista racional, isso é motivo de lamento, não de festejo. Vários motivos nos levam a achar ruim, não bom, que os carros novos tenham invadido as ruas – causas ambientais e urbanas.
Em termos de meio ambiente, o que acharemos de quase 300 mil carros a mais, em apenas um mês, rodando nas nossas ruas, avenidas e estradas? São um pesadelo ecológico, com a piora do efeito-estufa, da poluição e da atividade mineradora. Só temos consequências ruins a imaginar ambientalmente com essa enchente automobilística.
Mais poluentes, com o enchimento do ar das cidades com ainda mais sujeira. Mais emissão de gases-estufa, com inúmeras toneladas a mais de gás carbônico e outros gases sendo lançados e aumentando o percentual de aquecimento da atmosfera. Mais gastos de recursos naturais, aproximando nossas jazidas de minerais à exaustão mais rapidamente.
Em tempos de tanta discussão sobre como tornar nossa sociedade sustentável, mais ecológica, é uma decepção que estejamos comprando mais, dependendo mais de automóveis. Estamos configurando exatamente o inverso daquilo que almejávamos e desejávamos. Em vez de estarmos sendo mais amigos/as da natureza, estamos piorando nossa relação com ela.
Não menos ruim é o quesito urbano. A primeira e mais óbvia consequência que vislumbramos é o aumento dos já insuportáveis engarrafamentos em nossas cidades. Se a cada mês estamos pondo para funcionar centenas de milhares de carros novos, é de se esperar que nos aproximemos de um colapso viário.
Também preocupa o possível aumento dos acidentes de trânsito e, por tabela, das mortes. Mais carros implicarão mais batidas, mais capotamentos, mais feridos/as e mortos/as.
Ainda dentro da questão urbana, o incentivo do governo à compra de veículos releva uma importante maldade dele: a política de favorecimento ao transporte individual e desprezo ao coletivo. Entre incentivar que se encham as ruas de carros e prover mais ônibus e trens para desafogar o trânsito e atender à população que não prefere ou não pode usar um automóvel pessoal, foi preferido o primeiro. Enquanto isso, as tarifas do transporte público aumentam a cada ano sem uma melhora do serviço.
Fora números econômicos que não condizem com nossas verdadeiras necessidades, nada há para se comemorar nesse aumento da venda de veículos. Nosso governo, enquanto recebe homenagens como um agente astuto a retirar cedo seu país da crise mundial, mostra seu lado negativo em, baixando os impostos para um setor industrial que não merecia nem deveria ser fomentado como foi, frustrar as esperanças ambientais e urbanísticas da população.
*Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u674383.shtml
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
"Não insista, vou continuar errando e não quero conversa"
Alguém de um blog -- alguém cujo nome e blog não vou dizer por bom senso -- postou um post cujo título repete o quase milenar vício de linguagem de chamar seres humanos de "homens" mesmo havendo inumeráveis mulheres envolvidas.
Como comentarista, perguntei se são só os homens que são dotados do comportamento criticado no post, se as mulheres estariam isentas de tal "pecado". Entretanto a pessoa postadora afirmou reconhecer a questão mas simplesmente recusou debate sobre isso. Em seguida falei que não era questão de abrir um debate imediatamente, mas sim se é ético chamar de "homens" a totalidade mesmo sabendo que há alternativas sem viés masculino. Novamente o sujeito recusou debate: "Não adianta, você não vai me trazer para esse debate."
Em outras palavras, "não venha com esse papo. Sei que erro mas vou continuar errando!"
Eu desejaria muito conhecer o mecanismo humano que faz alguém insistir nos erros, mesmo reconhecendo que há um fundo de errado no comportamento abordado. Não é religião, nem choque com uma "ideoligião" política. Mas sim linguagem.
O que leva alguém a recusar esse tipo de debate, mesmo assumindo-se não ser misógino? O que leva alguém a dizer, com outras palavras, "quero continuar errado"?
Com esse problema ainda vou lidar muito ao longo dos anos. Mas de algo tenho convicção: o androcentrismo será derrotado a cada passo em que o feminismo assumido por mulheres e homens invade as mesas de debate, assim como o vegetarianismo e a irreligião estão fazendo.











