Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Teria sido Michael Jackson um messias? (Parte 2)

Bar em Cabedelo (PB) recebe visitantes para ver "imagem" de Michael Jackson

Uma imagem na parede de um bar em Cabedelo (28 km de João Pessoa, PB) tem atraído novos clientes. A dona do bar, Ilza Neves Ferreira, 44, diz que marcas escuras em uma das paredes do imóvel formam o rosto do cantor Michael Jackson, morto há duas semanas.

As suspeitas foram o bastante para chamar a atenção de muita gente. Ferreira diz que 3.000 pessoas passaram pelo bar entre ontem e hoje para ver a tal da imagem. "As pessoas fazem fila, tiram fotos", afirmou.

Ontem, por volta das 18h30, a filha a chamou para ver a parede da sala, ao lado da televisão. Tinha acabado de chover. "As marcas da água formaram o rosto dele. Parece que ele está nos olhando", disse.

Fã de Michael Jackson desde os 12 anos, Ferreira diz que ficou muito emocionada quando viu a imagem e que chorou sem parar. "É inexplicável", conta a dona do bar, que diz preferir a primeira fase de Michael Jackson e adorar a música "Ben".

Sobre o aumento do movimento em seu bar, Ferreira atribui ao boca a boca e à curiosidade dos moradores de Cabedelo e João Pessoa. Ela diz que vai manter o bar aberto amanhã e que não pensa em cobrar pelas visitas.

"Inexplicável"? Não, não é inexplicável. Isso se chama pareidolia.

O curioso é que ninguém nessas notícias atribui a Michael Jackson poderes de um messias ou santo católico, já que essas entidades adoram "aparecer" em pareidolias.

Como eu já falei, daqui a pouco montam uma religião de adoração a Michael, graças a suas "mágicas" pareidolias. Pelo menos mensagens de paz ele já passou, nas músicas Heal the World e Earth Song.

E se estivéssemos na Alta Idade Média, quando a Igreja Católica catolicizou os elementos, personagens e festividades pagãos que não demonizou, ele seria convertido em santo.

Aluguel de escravos (Parte 2: Aluguel de cão para segurança é mais uma forma de exploração)

Aluguel de cão para segurança é mais uma forma de exploração

Por Rosana Gnipper

Surpreendida pela matéria postada pelo jornal O Estado de S. Paulo, no último dia 4 de julho de 2009, que incentiva o aluguel de cães para guarda de imóveis, sinto-me na obrigação de me manifestar a respeito.

Esta prática invadiu a cidade de Curitiba (PR) e se firmou como uma das mais cruéis formas de exploração de cães, já vista nesta cidade. Travestidas de empresas que oferecem serviço de segurança patrimonial, essas instituições violam todos os princípios éticos no relacionamento das pessoas com os animais, particularmente os cães de grande porte, os cães que são tidos como os melhores amigos do ser humano, amigos fiéis, animais considerados de estimação.

Qual é o trato que se dá a quem se estima? A solidão? A indiferença? A falta de assistência? A falta de alimento e água? A falta de uma identidade? A falta de um abrigo? A falta de atenção e carinho? Começam aí os sinais dos maus-tratos aos animais envolvidos nessa atividade, considerada como uma boa opção pela equipe responsável pela matéria no jornal. E na sequência da crueldade e da exploração os animais, na medida em que vão ficando sem energia para lutar pela própria sobrevivência, são descartados pois não servem mais, não mostram mais “os dentes afiados, a cara feia e a irracionalidade de um cachorro bravo…”.

Além do dano ambiental pelos maus-tratos cometidos diariamente aos animais explorados, esta prática gera dano social na medida em que estimula o desemprego. Cria problemas sanitários em função de lugares imundos a que os animais são obrigados a viver, pela falta de limpeza e higiene diárias. Gera insegurança nas pessoas e vizinhos dos locais onde permanecem “trabalhando”, pois no desespero da fome e da solidão pulam muros, arrebentam portões e se atiram nas ruas em situação de desespero, muitas vezes querendo apenas carinho e atenção, porém causando temor justamente por serem cães de raça consideradas agressivas e violentas.

Felizmente, depois de alguns anos de investimento nas denúncias dos casos de maus-tratos, conseguiu-se a aprovação de lei municipal proibindo a atividade no município de Curitiba e, mais recentemente, a proibição se estendeu para todo o estado do Paraná.

Na contramão da história, São Paulo, que neste momento cria campanhas massivas pedindo respeito aos animais, não pode se calar e aceitar que esse tipo de atividade exploradora se fortaleça a ponto de fazer a população pensar que estará mais segura se tiver um cão alugado tomando conta de seu patrimônio.

Alugar cão NÃO é opção… É exploração!

*Rosana Vicente Gnipper, presidente Movimento SOS BICHO de Proteção Animal e diretora da Organização Não Governamental Ecoforça, Curitiba-PR. É colunista da ANDA.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Lei do cão assassinado

Assassinos confessos de cão morto a pauladas no RS NÃO serão presos [grifo meu]

O delegado Peterson da Silva Benites, da cidade de Quintão (RS), disse que os jovens que mataram um cachorrro a pauladas no Balneário de Quintão e divulgaram o vídeo da agressão na internet não devem ser presos. O delegado disse que, embora a lei preveja pena de três meses a um ano de detenção para crime de crueldade por maltratar animais, como não houve flagrante, os jovens não podem ser presos. Ele já tomou o depoimento dos agressores, que têm entre 17 e 22 anos, e eles admitiram o fato.

Segundo o delegado, eles mataram o cachorro a pedido da tia de um dos rapazes, porque o animal havia atacado as galinhas dela. Eles filmaram a agressão com um celular, mas não pretendiam colocar na internet. Benites disse que as imagens caíram na mão de uma pessoa que as teria colocado no Youtube.

No vídeo, um dos rapazes segura, o outro desfere pauladas no cachorro, enquanto o terceiro filma a barbárie. Demonstrando satisfação pela atitude, o jovem agressor exibe o taco usado para o crime. O adolescente que teria postado o vídeo negou envolvimento, disse que divulgou o material como forma de protesto.

“A gente fica refém de uma situação onde a sociedade cobra uma efetiva aplicação da pena, e hoje a pena para ser bem aplicada seria sinônimo de prisão. Porém, o procedimento não prevê esse tipo de penalização cautelar”, explica o delegado.

Benites disse que foi lavrado um termo circunstanciado, que será encaminhado ao juizado especial. Como os agressores não têm antecedentes criminais, dificilmente ficarão presos se forem condenados. “Em casos assim, normalmente se aplica uma pena alternativa, mesmo considerando a crueldade do ato”, diz.

Infelizmente os animais não-humanos são reféns dessa espécie de tendências brutais e sanguinárias que é a humana. Aqui eles não têm direito nem mesmo à vida. Nossa lei não os protege. Não pune pessoas sedentas de sangue que os assassinam.

Se fosse um assassinato de uma pessoa, a pena seria máxima, de 30 anos. Já que é um ser que nossa nojenta e discriminatória lei considera inferior, não há sequer garantia de que seus assassinos sejam presos por ao menos um mês.

Dizem que a legislação ambiental brasileira é uma das melhores do mundo. Mas o mesmo não é para a legislação animal. Para não-humanos, um único inciso de artigo na Constituição e um único artigo de uma lei (9605/98) são todas as normas legais referentes à proteção de suas vidas e sua integridade. E ainda corre o risco de diminuir ainda mais, graças ao estúpido e sanguinário projeto de lei 4548/98.

No Brasil, animais não-humanos não têm direitos. E ainda é legalmente incentivado cada vez mais que se maltrate e mate animais, como a portaria MS1480/90, a Lei Arouca e o Ministério da Pesca e Aquicultura provam. Nossa luta ainda é muito fraca se comparada com a de países como a Inglaterra e os Estados Unidos, país-sede das monstruosidades da vivissecção.

O jeito é esfriarmos nossos nervos que hoje fervem de raiva e continuarmos montando a militância animal no Brasil, que está longe de estar pronta para grandes batalhas.

Penso aqui, e gostaria que alguém me respondesse: haveria possibilidade de recorrer à OEA ou à Unesco para denunciar o Estado brasileiro por esse absurdo sangrento? Maria da Penha só teve justiça porque denunciou a impunidade brasileira à OEA.

Truculência contra greves: nossos governos nunca aprendem

Governo anuncia corte no salário dos grevistas e diz que aulas recomeçam nesta quinta-feira

Em meio à greve dos professores da rede estadual de ensino, o secretário de Administração do Estado, Paulo Câmara, disse que o retorno dos alunos às aulas nesta quinta-feira (9) está garantido. O anúncio foi feito durante uma coletiva realizada na tarde desta quarta-feira (8). Segundo o governo, medidas serão tomadas para assegurar a continuidade do ano letivo. Entre elas, o corte do ponto dos professores que não voltarem ao trabalho. Quem faltar terá desconto na remuneração e só receberá o salário em 5 de agosto, enquanto os demais ainda no mês julho.

Ah não recomeçam não. Tanto a tática da ameaça não funciona contra trabalhadores(as) grevistas como @s estudantes não são tão ingênu@s como o governo pensa que são.

A história nos ensina que a intransigência nunca deu certo para pôr de volta ao trabalho professores(as) que lutam por melhores condições. Eles(as) jamais aceitarão ser post@s nas salas à força. Pelo contrário, o cancelamento do corte de ponto passa imediatamente a ser mais uma reivindicação d@s grevistas.

Mas os governos nunca aprendem. Nem um governo que diz ser socialista.

Mesmo se fosse a UFPE em greve há 2 meses, eu não apoiaria que o governo federal tentasse pôr à força e na base da ameaça meus/minhas professores(as) de volta à sala.

Professores(as) estaduais, não voltem às aulas enquanto seus direitos não forem minimamente garantidos.

100 seguidores(as) no Twitter

Muito obrigado a tod@s @s seguidores(as) do Consciência Efervescente no Twitter! Vocês ganham muito quando seguem o perfil do blog: muita conscientização, muita lucidez na visão de mundo e olhos muito mais abertos para realidades que geralmente se veem ocultas perante a maioria das pessoas.

Como presente comemorativo, sugiro a vocês 100 frases e citações importantes. São frases de Direitos Animais e vegetarianismo, razão e ciência, motivação, citações musicais, citações motivacionais e trechos importantes de artigos antigos meus.

Tráfico de animais silvestres: a cultura da propriedade animal só podia dar nisso mesmo (Parte 4: mesmo aranhas viram mercadorias)

Adolescentes compram aranhas de estimação pela internet

Oito patas peludas e dois ferrões afiados na boca. Essa descrição sozinha já pode ser o suficiente para, no mínimo, arrepiar.

Mas há jovens que, em vez de entrarem em pânico diante de uma aranha caranguejeira, têm tanto interesse por esse animal que chegam a criá-lo em casa como bichinho de estimação.

As caranguejeiras costumam ser as preferidas dos criadores porque são maiores, mais longevas e não letais.

O problema é que criar aranhas sem fins científicos é um crime ambiental, assim como manter em casa qualquer outro animal silvestre cuja criação não esteja regulamentada.
[O desanimador desta parte é que o Ibama permite sim que certas espécies silvestres sejam criadas como servos afetivos e compradas como mercadorias. Já reclamei disso num artigo escrito sobre a "consulta pública da gaiola".] A lei estipula, inclusive, multa de R$ 500 por animal apreendido.

Longe de desconhecerem a ilegalidade de seu hobby, esses jovens encontram na internet uma maneira de exercê-lo sem grandes complicações.

Em comunidades do Orkut, como "Criadores de Aranhas" (2.615 usuários) e "Amantes das Aranhas" (3.436), eles trocam dicas de como criar os aracnídeos e comercializam animais. Vendedores, escondidos sob perfis falsos no site, anunciam a torto e a direito espécie, idade, tamanho e preço para quem estiver interessado.
[Ou seja, como mercadorias de qualidade e sem vida própria. Como brinquedos móveis iguais ao antigo Aibo e ao Robopet.]

Foi o caso de Ben, 16, que comprou uma Brachypelma albopilosum (espécie nativa da América Central) e duas Ephebopus murinus (típica do Norte do Brasil). Pagou cerca de R$ 60 por cada uma e as recebeu em menos de dois dias em uma caixinha, por Sedex. "Elas estavam muito sadias", conta.
[Ou melhor, a mercadoria veio em perfeitas condições. O produto veio sem defeitos. Assim essas pessoas devem enxergar os bichos que compraram como se fossem mercadorias manufaturadas.]



Ilegalidade

Procurados pelo Folhateen, muitos jovens se disseram revoltados com a criminalização de seu hobby.
[Enquanto eu me revolto é com a existência dessa atitude de criar animais como se fossem brinquedos cobiçados. E também com quem se revolta por não poder explorar animais livremente.] Mas não estão preocupados com os possíveis desdobramentos da infração.

"É extremamente ofensivo pensar que podemos ser taxados de bandidos por criar animais que a maioria das pessoas mata
[As pessoas vão na mata onde as aranhas vivem e matam-nas? É isso o que você quis dizer, "Peter"?]" [Para mim, ofensivo é ofender a dignidade animal e tratá-los como brinquedos caros.], revolta-se Peter, 18, que tem em casa uma Avicularia versicolor -espécie azul por que pagou cerca de R$ 300. [O preço não importa. O que importa é que esses animais foram comprados e são tratados como se fossem brinquedinhos robóticos.]

A razão para a pouca cautela com a lei é que esses adolescentes sabem que é pouco provável que venham a ser punidos.

Álvaro Palharini, chefe da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente da Polícia Federal, não faz pouco caso da infração, mas pondera: "Não há sentido em movimentar recursos para investigar os criadores, nossa preocupação é com a captura e a venda".
[A preocupação que deveria existir é com a existência da cultura da proprietarização, da coisificação, da mercantilização da vida animal não-humana.]

Essa é também a posição do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), segundo Antonio Ganme, chefe da fiscalização do órgão em São Paulo. "Queremos pegar os 'peixes grandes'", explica, referindo-se a quem tenta revender os animais para o exterior.
[Já falei várias vezes: esse tráfico só existe porque existem pessoas interessadas em comprar animais, em tratá-los como coisas.]

Uma aranha que, no momento de sua captura, rende cerca de R$ 1 pode ser vendida para fora do país por mais de R$ 500, estima Ganme.
[Se houvesse um consenso ético de se imoralizar a mercantilização e proprietarização da vida animal não-humana, isso não aconteceria, esse tráfico criminoso não daria lucro.]



Beleza única

Entre os motivos apontados pelos entrevistados para essa escolha inusitada de animal de estimação estão a estética das aranhas e o fato de serem exóticas. "Eles querem ser descolados, e é uma maneira de obter status"
[Uma atitude comparável com a de quem quer posar de superior promovendo bullying. Também é um péssimo sintoma da socialização capitalista, pela qual tem mais prestígio social quem tem mais.], diz Paulo Goldoni, biólogo do Instituto Butantan.

No caso de Mary Jane, 16, ser alérgica a outros animais e morar em um apartamento ajudaram a incentivá-la a criar uma aranha. "Depois vi que são animais fantásticos, com uma beleza única", aponta.
[Só é bonito conviver com outros animais (salvo cães e gatos) quando visitamos o ecossistema deles. Não o é nem um pouco possuí-los como brinquedos.]

A criação de um bicho desses é simples. As caranguejeiras vivem em aquários com terra no fundo e se alimentam uma vez por mês de alimentos vivos, como grilos e baratas. Um pote com água resolve a sede.
[Ou seja, cárcere, igual às gaiolas de pássaros.]

Apesar de ser desaconselhado nas comunidades on-line, pegar os bichinhos nas mãos é mania entre criadores. "No começo é apavorante, mas depois vira uma sensação ótima", conta Norman, 18. "Os pelos fazem cócegas!", completa.
[Não é nada bonito isso.]

Em uma dessas ocasiões, o garoto foi picado pelo animal. Diferentemente do que aconteceu com o Homem-Aranha, porém, ele não ganhou poderes aracnídeos. Foi ao médico, tratou da ferida, e logo os dois furos na pele desapareceram.

(Todos os nomes foram trocados por personagens dos gibis
[, desenhos e filmes] do Homem-Aranha) [huahauahuahauhauahuahauhua... Essa é a única parte da notícia que não nos deixa chatead@s.]

Jornalismo a serviço da indústria da morte

Notícia já antiga, de maio passado, mas que denuncia um vergonhoso comportamento jornalístico.

Mar quente põe indústria do camarão em risco

Uma indústria pesqueira de US$ 500 milhões pode ser vulnerável à mudança climática. Um estudo publicado nesta sexta-feira (8) sugere que o aquecimento do oceano pode bagunçar o ciclo de vida de uma espécie comercial de camarão, levando-o a pôr ovos quando não há comida para alimentar suas larvas.

Qualquer dano aos estoques do camarão-ártico --uma variedade pequena, popular em saladas no hemisfério Norte --poderia desencadear um efeito cascata na cadeia alimentar oceânica e afetar desde algas até bacalhaus, afirmaram especialistas canadenses.

"O camarão é o equivalente marinho do canário na mina de carvão. É um indicador da mudança climática", disse Peter Koeller, do Instituto de Oceanografia de Bedford. Ele é o autor principal do estudo, publicado na revista "Science".

Koeller e colegas afirmam que o camarão coordena o período de acasalamento para que seus ovos eclodam na época do ano em que as algas que alimentam suas larvas são mais abundantes.

"Eles evoluíram para se acasalar no ano anterior, na época certa para aproveitar a proliferação das algas na primavera [boreal]", disse Koeller.

Os ovos levam entre 6 e 10 meses para incubar no inverno. "Mas a mudança climática poderia cortar a ligação entre temperatura do mar e comida", afirmou. Temperaturas mais altas poderiam fazer o acasalamento ocorrer mais cedo. Dessa forma, os ovos eclodiriam antes do pico de florescimento das algas, matando as larvas de fome. Esse efeito, no entanto, não foi observado pelo estudo.

Essa espécie responde por 70% das 500 mil toneladas de camarão de água fria pescadas por ano no mundo todo.

Em vez de se preocupar com a vida e existência dos camarões e o equilíbrio ecológico ligado à espécie referida, a notícia se foca mais no perigo que a mudança no comportamento desses animais representa à pesca.

Ou seja, não interessa a quem preparou a notícia se essa espécie correrá, em última análise, o risco de extinção pela perturbação no seu ciclo reprodutivo, mas sim as consequências dessa tragédia no lucro da sangrenta indústria extrativista chamada pesca.

Que vergonha, Folha Online.

Cirque du Soleil: O Quidam liQuidou com o bem comum

Cortesia do blog Plante Árvores.

Só um adendo: as árvores não foram as únicas que o Quidam, do Cirque du Soleil de Olinda, liQuidou. Foi-o também o lazer das comunidades locais, leia-se os vários campos esportivos do Memorial Arcoverde.

O Plante Árvores e muitas ONGs ambientalistas de Pernambuco concordam que os velhos e famigerados Interesses estiveram em jogo nessa idiocrática obra.

Precisamos ter, coletivamente, alguma força e estratégia para poder peitar os Interesses de quem nos desrespeita, como eu explicito num texto recente.

A mídia tradicional começou a relevar os eventos vegetarianos

Cortesia do blog Lobo Repórter.

São Paulo e Rio de Janeiro abrigam eventos vegetarianos em julho

A SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira) promove dois eventos no Rio de Janeiro e em São Paulo, respectivamente, no mês de julho.

O primeiro é o 12º Festival Vegano Internacional, na cidade do Rio de Janeiro, que ocorre de 22 a 25 de julho, na PUC-Rio. O evento tem proposta de divulgar o estilo de vida vegano.

Esta edição do festival --que teve início na Dinamarca, em 1981-- é a primeira que ocorre na América Latina.

A programação completa do evento e informações sobre inscrição podem ser conferidas no site: www.svb.org.br/12veganfestival.

Salão Vegetariano

O outro evento é o 2º Salão Vegetariano, que acontece em paralelo à NaturalTech 2009, uma feira de alimentação saudável e de produtos que recebe cerca de 200 expositores e atrai mais de 20 mil visitantes em quatro dias.

O evento ocorre no Prédio da Bienal do Ibirapuera, região sul de São Paulo, e o seu objetivo é apresentar novos produtos e soluções para os adeptos da dieta vegetariana. Além da exposiçõe de produtos, a programação também reúne um ciclo de palestras sobre alimentação com temas sobre ética, saúde e sustentabilidade.

A programação completa, informações sobre inscrição e reserva de estande estão no site: www.svb.org.br/salaovegetariano.

Assim vai ascendendo o movimento da alimentação ética e saudável no Brasil.

Será o máximo quando houver um evento desse em Recife. Aliás, nem mesmo uma filial da SVB nós temos ainda!

Tráfico de animais silvestres: a cultura da propriedade animal só podia dar nisso mesmo (Parte 3)

Mais de 80 aves silvestres são apreendidas em Caruaru

Mais de 80 aves silvestres foram apreendidas e três pessoas detidas em ação realizada pelo Ibama em Caruaru, a 140 km do Recife, nesta terça (6).

A maioria dos 84 pássaros estava sendo comercializada na Feira da Sulanca, mas também foram encontradas outras aves numa padaria e numa quitanda da cidade.

A ação foi a terceira do Ibama na Feira de Caruaru desde o início do mês passado. De lá para cá, quase 300 animais silvestres foram apreendidos. Segundo o Ibama, boa parte desses animais foi solta em seu habitat. Outros aguardam "destinação para zoológicos ou criadores autorizados".

Os três homens detidos hoje foram liberados, mas foram multados em R$ 5,5 mil e vão responder a processo por crime ambiental, podendo pegar até um ano de prisão. Com o trio, estava apenas sete aves - os demais vendedores conseguiram fugir, abandonando suas gaiolas, ao notar a fiscalização.

Eu insisto: esse tráfico criminoso vai continuar de vento em popa enquanto não se atacar a cultura de se tratar animais como mercadorias e propriedades e não se tornar imoral o costume de aprisionar aves em gaiolas. Enquanto esforços de conscientização em prol dessa mudança cultural não forem iniciados, o Ibama e a polícia nada mais farão do que enxugar gelo.

Uma lida neste artigo ajudará você a entender melhor como a cultura da exploração animal e o crime ambiental são tão fortemente correlacionados.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Importante respaldo científico ao vegetarianismo

Dedicado a André do Ceticismo.net, que questionou intransigentemente a sustentabilidade nutricional do vegetarianismo duas semanas atrás nos comentários de um post antigo daqui.

Dietas vegetarianas apropriadamente planejadas são saudáveis e podem ajudar na prevenção e tratamento de doenças, diz American Dietetic Association

A American Dietetic Association (Associação Dietética Americana) lançou um memorando atualizado sobre dietas vegetarianas que conclui que tais dietas, se bem planejadas, são saudáveis e nutritivas para adultos, bebês, crianças e adolescentes e pode ajudar a prevenir e tratar doenças crônicas incluindo problemas cardíacos, câncer, obesidade e diabetes.

A posição da ADA, publicada na edição de julho do Journal of the American Dietetic Association, representa a posição oficial da Associação sobre dietas vegetarianas:

“É posição da American Dietetic Association que dietas vegetarianas apropriadamente planejadas, incluindo dietas vegetarianas incompletas (ovoláctea, láctea e ovovegetariana) e veganas (vegetarianas completas), são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem prover benefícios à saúde na prevenção e tratamento de certas doenças. Dietas vegetarianas bem planejadas são apropriadas para indivíduos durante todas as fases do ciclo da vida, incluindo gravidez, lactação, primeira e segunda infâncias e adolescência e incluindo também atletas.

A posição da ADA e seus anexos foram redigidos por Winston Craig, PhD, MPH, RD, professor e coordenador do departamento de nutrição e bem-estar na Andrews University; e Reed Mangels, PhD, RD, conselheiro de nutrição no Vegetarian Resource Group de Baltimore, Maryland.

O memorando revisado incorpora novos tópicos e informações adicionais sobre nutrientes-chave para vegetarianos, dietas vegetarianas no ciclo de vida e o uso destas na prevenção e tratamento de doenças crônicas. “Dietas vegetarianas são apropriadas para todas as fases da vida”, de acordo com a posição da ADA. “Há muitas razões para o crescente interesse no vegetarianismo. É esperado que o número de vegetarianos(as) nos Estados Unidos cresça ao longo da próxima década.”

O vegetarianismo é geralmente associado com vantagens para a saúde, incluindo-se níveis menores de colesterol no sangue, menos risco de doenças cardíacas, pressão sanguínea mais baixa e menor risco de hipertensão e diabetes tipo 2, segundo a posição da ADA. “Vegetarianos(as) tendem ter um menor índice de massa corporal e menores taxas de qualquer câncer. Dietas vegetarianas tendem a ser mais leves em quantidade de gordura saturada e colesterol
(nota da tradução: colesterol vindo de derivados animais não-cárneos, consumidos por ovolacto, lacto e ovovegetarianos) e ter níveis mais altos de fibras, magnésio, potássio, vitaminas C e E, folato, carotenoides, flavonoides e outras substâncias fitoquímicas. Essas diferenças nutricionais podem explicar algumas das vantagens da saúde daqueles(as) que seguem uma dieta vegetariana variada e balanceada.

O memorando enfoca os resultados do processo de análise de evidências e as informações da ADA Evidence Analysis Library (Biblioteca de Análise de Evidências) para mostrar que a alimentação vegetariana pode ser nutricionalmente adequada na gravidez e resulta em consequências positivas para a saúde da mãe e do bebê. Adicionalmente, uma revisão baseada em evidências mostrou que o vegetarianismo é associado a um risco menor de morte por isquemia cardíaca.

Uma seção no memorando da ADA sobre vegetarianismo e câncer foi significantemente expandida para prover detalhes sobre fatores protetores contra cânceres no vegetarianismo. Uma outra seção expandida, sobre a osteoporose, inclui o papel de frutas, folhas, produtos de soja, proteína, cálcio, vitaminas D e K e potássio na saúde óssea. “Nutrólogos registrados podem prover informações sobre nutrientes-chave, modificar dietas vegetarianas para atender às necessidades daqueles(as) que possuem restrições dietéticas devido a doenças ou alergias e suprir orientações para corresponder às necessidades de clientes em diferentes fases da vida”, disseram os autores.

A American Dietetic Association é a maior organização de profissionais de alimentação e nutrição do mundo. A ADA tem os compromissos de melhorar o panorama de saúde dos Estados Unidos e prover avanços no ensino de Nutrição através de pesquisa, educação e advocacia. Visite o site da ADA em www.eatright.org.

(Tradução feita pelo Consciência Efervescente.)

A mão que eu segurei

No supermercado, me aproximei de uma prateleira
Com pedaços de corpos de diversos animais
Mortos em matadouros
E, me arriscando a sentir bastante tristeza posterior, peguei a mão de um porco.
Uma mão decepada. Escurecida. Defumada.
Um pedaço cadavérico chamado coloquialmente
De pé de porco
Que dizem ser ótimo para uma feijoada
Mas digo que é péssimo.
Péssimo para o animal que foi retalhado em pedaços
Em cenas terríveis que lembravam filme de terror splatter
No interior de um matadouro
Que deveria se chamar “Matadouro Splatter”
Cujo lema deveria ser:
“Morte, Esquartejamento e Sangue, é com nós mesmos!”

O que é essa pata de porco?
Uma carne?
Um tempero de feijoada?
Um retalho do corpo de um animal?
Uma mão não-humana esquartejada?
Um pedaço sem vida de um corpo idem?

A mão suína enegrecida que eu segurei
Era um fragmento do corpo não mais vivo de um ser vivo
Que sofreu durante grande parte de sua vida
Que não teve direitos como o de viver e ser livre
E morreu de forma trágica.
Retratou a mim por uns instantes
Uma realidade que ainda se insiste em ignorar.

Passou pela minha cabeça
A imagem de um porco em seus últimos momentos
Pendurado por um gancho a varar uma de suas pernas
Adormecido, mas com possibilidade de acordar
Acordar de um pesadelo para se ver num outro
Muito real.
É provável que aquele porco
Vá acordar com dores
Sentindo a garganta cortada
Sentindo o sangue descer ao chão
De um Matadouro Splatter.
O porco mexia-se freneticamente
De dor e talvez implorando misericórdia com suas últimas guinchadas
Até que parou
E o sangue também parou de escorrer.
“Pronto”, diz o temido funcionário do recinto
“Esse já morreu.”
“Bora retalhá-lo agora!”

Não pensa ele que não foi apenas um corpo que morreu
Foram sentimentos que morreram
Foram desejos que morreram
Incluindo o desejo de viver
E de parar de sentir dor, tanta dor.
Morreu também a consciência de uma vida
Consciência perdida num festival de sangue.

Depois de tão terrível cena de sofrimento
A segunda parte do filme de terror splatter
Dentro do Matadouro Splatter
É o visceramento seguido do esquartejamento
Com cenas que nem quem come carne aceitaria ver.
É triste, meu caro onívoro
E minha cara onívora
Mas é dali que surge sua carne de porco
E de boi, de carneiro, de galinha, de bode
De todo aquele animal vertebrado terrestre que você come.

De todo esse terror
Veio a mão de porco que eu segurei
Num ato de reflexão.

Penso como é difícil
Que algo que a uma pessoa vegetariana
É tão brutal e imoral
Não o seja também para uma onívora
Como é difícil compadecer-se do sangue
Que existiu por trás de uma mão morta e decepada
Como a que eu segurei.

Se fosse uma mão humana ou canina
Seria uma histérica indignação
Mas já que é de um porco
Não há o que sentir para tantas pessoas.
Já que é um animal rural, não doméstico
Estabelece-se que não há motivo para tristeza
Quando se compram restos corporais
Como a mão que eu segurei.

Quero que as pessoas
Que compram mãos decepadas como a que eu segurei
Pensem direito sobre o que estão pondo
Na mesa, na feijoada
No churrasco, no freezer.
Aquela mão e tantas outras são de seres
Que sofreram muito em suas miseráveis vidas
E terminaram esquartejados
Num Matadouro Splatter.

A mão que eu segurei
Queria eu que fosse
A patinha erguida
De um porquinho vivo, livre
E contente.
Mas não era, infelizmente.
Era a mão de uma brutalizada vítima da pecuária
E da demanda
Do tão banalizado consumo de carne.

G(afe)1.com.br (Parte 8)

Procurar notícias de sofrimento animal dentro do Planeta Bizarro (que está mais para Planeta Sádico) do G1 já virou praxe para mim. É impressionante como o noticiário online da Globo (des)trata a vida animal. Um bicho sofrendo ou sendo morto em certas situações não é motivo de comoção e preocupação para eles, mas sim de curiosidade e até risada.

Com vocês, mais uma notícia maldosa do portal G(afe)1, agora com uma cobra que foi morta pelo "crime" de chegar ao banheiro de uma casa pela tubulação.

Espanhol vai ao banheiro e acha cobra de 1,5 m dentro da privada

O espanhol Juan Ochoa encontrou uma cobra píton de cerca de 1,5 metro no banheiro de seu apartamento na cidade espanhola de Alicante. Ele deparou com o réptil quando foi erguer a tampa do vaso sanitário na noite do último sábado (4).

"Deparei com algo estranho, pensei que era o cabo de um guarda-chuva. Mas, quando acendi a luz, eu vi a cabeça de uma cobra. Fiquei assustado", disse Ochoa, que acredita que o bicho tenha entrado na privada após subir pela tabulação.

Após o susto, ele fechou rapidamente a porta do banheiro e ligou para a polícia.
No entanto, em vez de tentarem capturar a cobra (procedimento normal), pois a píton não é uma cobra venenosa, os agentes mataram o réptil com um facão.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Resenha: 1984

Minha resenha de "1984", de George Orwell, possui muitos spoilers e por isso foi postada retroativamente.

Se você já leu o livro e/ou não se importa em saber um pouco do desenrolar da história, veja a resenha aqui.

Daily Telegraph denuncia testes em animais na Austrália

Os testes em animais estão crescendo a uma taxa alarmante

Você não precisa ser um abolicionista extremista para se ver atordoado pela notícia de que 8.813 animais foram mortos por testes em Nova Gales do Sul em doze meses.

Isso representa um cavalo, ovelha, camundongo ou rato sendo condenado à morte, geralmente sob dores terríveis, a cada hora em um ano inteiro.

Pior ainda, esse é um aumento de mil vezes em comparação a anos anteriores. Em vez de se pesquisar e usar métodos alternativos (e menos cruéis) de testar produtos, estamos elevando o número de animais mortos por nós utilizando técnicas desenvolvidas séculos atrás.

Diante dos avanços na medicina humana ao longo das últimas décadas e particularmente na tecnologia computacional, soa estranho que modernização similar não esteja sendo promovida em áreas que hoje requerem testes em animais.

De fato, com o número de animais sendo literalmente testados até a morte aumentando, nós estamos é dando passos para trás.

Cientistas que usam animais em testes justificam que nenhuma simulação pode medir tão acuradamente respostas orgânicas de forma que poderiam ser comparadas com a reação humana.

Também apontam que tais testes pretendem claramente proteger vidas humanas.

Isso é compreensível. Mas testes que vão mais adiante são necessários – em prol de se encontrar um caminho seguro que destoe dos testes em animais.


(Tradução feita pelo Consciência Efervescente.)

Domingo, 5 de Julho de 2009

Aviso sobre o fim da Coluna

A partir de hoje, os artigos que seriam da Coluna passam a ser publicados como artigos normais. Entretanto, reitero o compromisso para @s leitores(as) e para mim mesmo de que continuarei sempre postando pelo menos uma vez por semana, exceto em semanas de muita ocupação, artigos pequenos (tamanho de uma página no Word). O fim do prefixo [Coluna] facilita a publicação dos artigos a partir do Consciência Efervescente e o tamanho desses artigos exercitam meu poder de fazer redações compactas.

Artigos desse molde passam a chegar a qualquer dia da semana. Mas chegarão fielmente dentro de cada semana, cada intervalo domingo-sábado.

O novo Ministério da Morte

(Aviso: Este artigo é voltado a quem já tem uma percepção consolidada de Direitos Animais e pode soar muito radical para quem não é vegetariano(a).)

Um ministério exclusivamente dedicado a matar animais. Assim é descritível o novo Ministério da Pesca e Aquicultura, criado no final de junho último a partir da promoção da até então Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca. Tal criação se soma a vários atentados recentes feitos pelo Estado brasileiro contra a vida animal não-humana, entre eles a “consulta pública da gaiola”, a censura aos tratamentos existentes da leishmaniose visceral canina, a sanção da Lei Arouca e o deferimento do famigerado PL 4548/98 para votação no Congresso.

Nosso governo tem sido uma assídua fonte de más notícias para os Direitos Animais. Novamente ele exibe-se francamente interessado no ato de explorar animais vivos ou mortos e negar-lhes o direito à vida e à liberdade. O indescritível sofrimento de peixes, crustáceos e moluscos em asfixia quando retirados da água não só continua ignorado como é agora ainda mais respaldado e fomentado pela política federal.

O novo órgão tem como um dos objetivos incentivar o consumo das carnes de bichos aquáticos. Se acompanharmos as tantas notícias que vêm chegando sobre os efeitos da pesca em grande escala no planeta, relatando grandes reduções de populações de diversas espécies em muitas regiões de água salgada ou doce e avisos de ameaça de extinção para tantas delas, indicando de forma clara a insustentabilidade ambiental dessa matança, a atitude de formar o novo “Ministério da Morte” é uma banana dada para todos esses alertas.

Mexem-se os pauzinhos para se divulgar também a pretensa importância do pescado – sabendo nós que é dispensável, pela existência de opções vegetarianas – na alimentação brasileira e reduzir os seus preços. Uma coisa é certa: em tempos de propagação de ideias éticas que estão levando muitos(as) ao vegetarianismo, o incentivo governamental para que se mate mais e mais animais nos rios, lagos e oceano brasileiros é encarável como um contra-ataque a essa divulgação da moral da convivência pacífica entre humanos e não-humanos.

O Governo Federal, junto com as comissões congressistas que avaliam projetos de lei, parece mostrar novamente que não está aberto a debates sobre o valor da vida animal a qual atividades como a pecuária, a pesca, os rodeios e a experimentação didático-científica violam. Aparenta imaginar que toda a população brasileira aceita de bom grado a morte utilitária de animais e concorda que estes existem para nos servir. O que não é nenhuma verdade em tempos de multiplicação de vegetarianos(as), veganos(as) e ONGs de Direitos Animais.

Enquanto o Estado investe pesadamente na otimização da exploração no meio rural, nas universidades e nas pequenas comunidades – onde é muito mais difícil haver uma transição de trabalhos como pescador, peão e açougueiro para empregos éticos – e incentiva-se com fervor a perpetuação das velhas refeições cheias de carne, vira-se as costas para o fomento de alimentações alternativas e saudáveis em franco crescimento, como dietas naturais, o vegetarianismo e o crudivorismo.

Querer que este governo – e, pelo que tudo indica, também os próximos – respeite a vida não-humana, pare de criar órgãos especializados em explorá-la e ceifá-la em massa e reconheça o vegetarianismo como opção alimentar ética e nutricionalmente ótima é muito ainda. Já reparar que o presidente churrasqueiro e seus ministros não se importam com os animais e só pensam neles como corpos geradores de renda é fazer o óbvio. Até quando teremos que ver o poder público atrasando a luta de quem respeita todas as formas de vida senciente?

O ecocâncer americano

Os Estados Unidos são atualmente o pior tumor do ecocâncer que adoece o planeta hoje. Não só pela enorme poluição que emite na atmosfera, como também pela destruição bestial de suas florestas virgens (que não sofreram perdas severas de vegetação nos últimos oito mil anos) que se deu durante seu expansionismo territorial e econômico que matou tantos indígenas e, como visto abaixo, ecossistemas.

A figura abaixo é uma demonstração de como a "civilização" industrializada tem sido um autêntico e devastador câncer a infectar o meio ambiente do planeta.

"Area of virgin forest today" = Área de floresta virgem em 1992. Fonte: Wikipedia em inglês. Clique na imagem para vê-la em tamanho maior.

E pensar que ainda existe gente que se preocupa com o "desenvolvimento" quando o Greenpeace age em favor da Amazônia...

Sábado, 4 de Julho de 2009

Vegetarianismo no Diario de Pernambuco

Proposta de um dia como vegetariano

O ex-Beatle Paul McCartney, os atores Alec Baldwin e Kevin Spacey e os cantores Chris Martin (Coldplay) e Sheryl Crow são as caras famosas de uma campanha que vem ganhando o mundo. Alguns são vegetarianos. Outros defendem a simples redução no consumo. A unanimidade está no desejo de - pelo menos - criar a Segunda-feira sem carne. A campanha encontra defensores anônimos em Pernambuco que, seja pelos direitos dos animais ou para contribuir com o controle das mudanças climáticas, estão dispostos a repensar os hábitos alimentares. A polêmica chegou às redes de supermercado que já receberam da Justiça a recomendação de não comprar produtos com origem em áreas desmatadas. O assunto rende aos consumidores mais uma reflexão, antes de avaliar se "as calorias" são válidas ou não.

Os defensores da campanha Segunda-feira sem carne (Meat free monday) argumentam que a produção de carne bovina contribui com o desmatamento e a emissão de gases poluentes e citam a iniciativa como uma oportunidade de experimentar algo novo e aproveitar os "deliciosos vegetais" como uma refeição. "Ter um dia livre de carne por semana é uma ótima oportunidade para que cada um mude seu estilo de vida em prol do meio ambiente", já disse McCartney em entrevistas sobre a participação na campanha. O resultado da enquete feita pelo Blog de Meio Ambiente (veja na coluna ao lado) indica uma tendência simpática à iniciativa. Do total de participantes até a tarde da sexta-feira passada, 39% afirmaram já não consumir carne e 34% informaram que poderiam cortar o produto do cardápio por até três dias.

O corte de carne por um dia foi aceito por 15% e 12% dos votantes disseram não aderir à redução, se classificando como "loucos por um bom filé ou churrasco. A campanha ganhou maior fama em junho deste ano com a adesão dos artistas internacionais e a divulgação de dados sobre o impacto da produção e do consumo de carne. Segundo a organização europeia Meat Climate, cada quilo de carne bovina consumido equivale à mesma quantidade de poluentes de um avião que tenha percorrido 100 quilômetros (quase a distância entre o Recife e Caruaru). Além disso, a pecuária é responsável por cerca de 18% das emissões globais de gases de efeito estufa atribuídas à atividade humana no planeta, o que é mais do que a emissão do setor de transportes.

A professora do departamento de zootecnia da UFRPE Adriana Guim disse que o problema é a ampliação das áreas de pasto. "Os pecuaristas deveriam usar áreas de manejo e recuperar as degradadas. O Brasil tem muita área de pastagem e o uso sustentável é o único caminho", destaca. Aos consumidores, sugere, resta refletir e tentar confirmar a origem dos produtos. Vegano (não come nada de origem animal) há quase dois anos, o estudante de ciências sociais Robson Souza, 22 anos, não consome nada de origem animal. "Por que defendemos alguns animais e outros não? Eles são iguais e iguais a nós", diz. Desde da adoção do cardápio à base de soja e vegetais, ele diz que se sente mais saudável e próximo do meio ambiente e divulga suas ideias no blog http://conscienciaefervescente.blogspot.com.

Meus agradecimentos já estão dois posts abaixo deste.

G(afe)1.com.br (Parte 7)

Câmeras flagram mulher roubando gambá em loja de animais

Câmeras de segurança de uma loja de animais no estado da Flórida, nos EUA, flagraram uma mulher tentando furtar um filhote de gambá avaliado em US$ 350
[O preço não me importa nem um pouco. O que importa é a agressão à ética que é transformar um animal em mercadoria.], segundo reportagem da emissora americana de TV 'ABC News'. Sem saber que estava sendo filmada, a mulher pegou o gambá e, após se dirigir para um corredor da loja, colocou o animal dentro da bolsa.

Fica a dúvida, que vai permanecer eternamente em aberto: será que a mulher estava resgatando-o?

Quanto ao G(afe)1, fica minha enésima queixa ao noticiário irresponsável porque um assunto ético terminou parando nas páginas "engraçadas".

Com apoio, a consciência ferve muito mais (parte 5: eu no jornal)

Clique na foto para vê-la aumentada.

O Diario de Pernambuco deste domingo, seção Vida Urbana, última página desse caderno (vide imagem acima), veio com uma reportagem interessante sobre consumo de carne e os apelos pela adoção do vegetarianismo como forma de inibir o ecocâncer causado pela pecuária e pela indústria da carne a ela ligada.

Minha foto é a que figura grande no alto da página. Dei uma contribuição (pequena em relação ao tamanho da reportagem) estendendo a questão do vegetarianismo para os Direitos Animais (com o perdão da baixa qualidade da imagem):

Trecho transcrito:

Vegano (não come nada de origem animal) há quase dois anos, o estudante de ciências sociais Robson Souza, 22 anos, não consome nada de origem animal. "Por que defendemos alguns animais e outros não? Eles são iguais e iguais a nós", diz. Desde a adoção do cardápio à base de soja e vegetais, ele diz que se sente mais saudável e próximo do meio ambiente e divulga suas ideias no blog http://conscienciaefervescente.blogspot.com.

Como visto, estou como "Robson Souza" (Souza é meu último sobrenome). E o DP ainda fez o gratificante favor de divulgar o endereço do Consciência Efervescente no final.

Tenho a certeza de que dei uma relevante ajuda na divulgação do vegetarianismo -- e também do veganismo, considerando que a ainda estranha palavra vegano está ali, esperando para que @s leitores(as) procurem saber do que se trata -- em Pernambuco com essa participação. E não pára* por aí, porque o trabalho continua e é daí para cima.

Meus sinceros agradecimentos a Júlia Kacowicz, a repórter da parte de meio ambiente e dona do blog de meio ambiente do Diariodepernambuco.com.br (listado nos sites irmãos de consciência num dos menus à direita); à fotógrafa Inês e ao Diario de Pernambuco por essa ótima divulgação de ao menos parte da efervescente consciência vegetariana.



*Não vou deixar de usar o acento no "pára", uma vez que retirá-lo pode deixar uma frase dúbia.

Notícia boa e laica

Piauí deve retirar símbolo religioso de repartição pública

O Ministério Público do Piauí solicitou a retirada de símbolos religiosos dos prédios públicos no Estado, atendendo a uma representação feita por 14 entidades da sociedade civil. O promotor Edílson Farias, que está tratando do caso, deve propor um Termo de Ajustamento de Conduta para que os governos municipal, estadual e federal retirem imagens e fechem capelas dentro de edifícios públicos. Caso não façam isso, provavelmente serão alvo de um ação civil, baseada no inciso I do artigo 19 da Constituição, que diz ser proibido ao poder público estabelecer cultos religiosos ou igrejas.

É claro que setores não-progressistas da Igreja Católica no Piauí chiaram na audiência realizada, nesta semana, em Teresina para discutir o assunto.

Com isso, o Piauí - sempre vítima de preconceito - dá, ao resto do país, uma aula de cidadania e de respeito à separação entre Estado e religião.

No início do ano, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Luiz Sveiter mandou retirar os crucifixos que adornavam o prédio e converteu a capela católica em local ecumênico. Ou seja, não fez mais do que se espera de uma autoridade pública em um governo que deveria ser laico, acolhendo todas as crenças e denominações religiosas, mas sem discriminar nenhuma delas.

Mas ele enfrentou contestações tanto por seus colegas desembargadores quanto por parte da sociedade, que defenderam a permanência do crucifixo por motivos religiosos ou por tradição.

Tradição, sabe? Aquela coisa do “Ué! Mas sempre foi assim, por que mudar?”, a que sempre se recorre quando se confronta algo do passado, nem sempre justo, com um argumento racional.
[Onde eu assino?]

É necessário que se retirem adornos e referência religiosas de edifícios públicos, como o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional. Não é porque o país tem uma maioria de católicos que espíritas, judeus, muçulmanos, enfim, minorias, precisem engolir um símbolo cristão.
[Quero assinar aqui também!] Além disso, as denominações cristãs são parte interessada em várias polêmicas judiciais – de pesquisas com célula-tronco ao direito ao aborto. Se esses elementos estão escancaradamente presentes nos locais onde são tomadas as decisões sem que ninguém se mexa para retirá-las, como garantir que as decisões serão isentas?

Por fim, o Estado deve garantir que todas as religiões tenham liberdade para exercer seus cultos. Mas não pode se envolver, positiva ou negativamente, em nenhuma delas. Estado é estado. Religião é religião.

É simbólico. E, por isso, imprescindível.

Muito obrigado ao MPPI, a Edilson Farias e a Luiz Sveiter por seus atos que fazem valer a lei e a igualdade entre crenças e descrenças. Obrigado também a Leonardo Sakamoto, autor do Blog do Sakamoto, de onde retirei essa ótima notícia.



P.S: A partir deste post, muda a disposição de cores de trechos assinalados de notícias:
- em vermelho, trechos ruins; em vermelho negrito, trechos muito maus;
- em roxo, trechos marcados por caô furado, falsidade, hipocrisia ou veracidade questionável;
- em azul, trechos de boa notícia; em azul negrito, trechos muito bons, que nos deixam muito felizes;
- na cor padrão (azul escurecido acinzentado) em negrito: trechos neutros que chamam mais atenção.

Aluguel de escravos

Alugar cão é opção para proteger casa nas férias

Durante as férias, contratar um vigilante para tomar conta de casa pode ser uma missão complicada e custosa. Um serviço eficiente de vigilante particular demanda três homens que se revezam em turnos de 12 horas a cada dois dias. Ao longo de um mês, as despesas desse serviço podem variar entre R$ 4,5 mil e R$ 5 mil. Não é à toa que vizinhos costumam dividir a despesa para que vigias tomem conta de uma ou mais ruas.

Serviço ainda pouco usado nas residências em São Paulo, os cachorros de aluguel costumam ser mais usados para vigiar grandes áreas de empresas, construções ou para acompanhar vigilantes de empresas de segurança privada. Existe um bom mercado para aluguel de cachorros em empresas. Por isso não divulgamos os serviços para as casas. Mas em uma residência o cachorro pode ser mais barato e eficiente do que um segurança particular", afirma o empresário e adestrador Eugênio David Minet, de 47 anos, dono da Cão Leão.

Para alugar o cachorro durante um mês para uma residência, a Cão Leão cobra R$ 800. A diária é ainda mais salgada, variando de R$ 60 a R$ 70. Com um portfólio de 150 cachorros de aluguel, composto de 120 cães rottweiler e 30 pastores alemães, Minet explica que a mensalidade acima de um salário mínimo para os serviços de um cachorro compensa, porque no ramo na segurança privada o principal produto oferecido é o medo. Os dentes afiados, a cara feia e a irracionalidade de um cachorro bravo podem ser mais persuasivos para um ladrão em potencial do que a presença de um vigilante.
[Sem contar a aberração ética desta notícia, não se está considerando que cães são mais fáceis de uma arma mirar e matar, já que não tem colete.] "Sem contar que muitas vezes os ladrões vão em cima do vigilante porque estão atrás de armas", diz.

Em 22 anos no ramo, Minet afirma que somente dois invasores foram atacados e um cachorro foi assassinado.
[Esse é um trabalho escravo que ameaça a vida dos escravizados. Que argumentos éticos essa gente utiliza para utilizar tais cães como escravos de guarda?] "O mais importante é a presença da fera. Na hora de escolher entre as diversas casas a serem assaltadas, o ladrão vai escolher aquela onde não corre o risco de ser mordido."

Esses cães são tratados como "máquinas de matar" e desconsidera-se, além de todos os seus valores inerentes como ser digno e sentimental, que eles podem dar e receber carinho e afeto daqueles que os contrataram como "escravos guerreiros". Quando forem apartados de seus tutores temporários, sofrerão com isso. Os sentimentos do cão nada são para seus escravizadores, o que importa é que sejam máquinas de combate, postas em guarda contra sua vontade, mesmo correndo o risco de morrer por um tiro de bandido.

E uma dúvida que ficou nessa questão: como esses cachorros têm seus sentimentos manipulados para se tornar essas feras propagandeadas por seus escravizadores?

Vamos esperar a palavra das entidades de Direitos Animais. É esperado que se ponham radicalmente contrárias a essa escravocracia absurda.



Atualização (04/07/09, 21:58): Post editado retroativamente com o nova disposição de cores.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Os males da socialização no Brasil

A violência urbana tem parte de suas origens na cruel socialização que os criminosos sofrem quando jovens. (Imagem: blog Acerto de Contas)

Muitos dos problemas que tornam o Brasil um país socialmente doente têm uma raiz em comum: a socialização. Violência, alienação, individualismo excessivo, corrupção e desonestidades, “alcoolismo social”, muitas são as patologias que surgem do perverso modo como as pessoas são integradas à sociedade e “educadas” pelas relações sociais vivenciadas ao longo da vida, desde a primeira infância até a vida adulta.

Combinado ou não com a educação capenga existente, o processo socializatório proporcionado pelo universo sociocultural brasileiro é o maior responsável por determinar os comportamentos e valores que cada pessoa vai seguir por grande parte de sua vida, se não pelo restante dela, com poucas chances de reversão pessoal.

A verdade é que muitos e muitos indivíduos estão sendo corrompidos por valores e realidades pessoais bastante perversos, ao melhor estilo Rousseau (“O ser humano nasce bom, a sociedade o corrompe”). Preceitos nocivos, como a “desonestidade esperta” e o “alcoolismo social”, semeiam costumes perigosos que muitas vezes evoluem a crimes, tornando o povo brasileiro muito vulnerável a sérios problemas que, por sua vez, comprometem seu progresso socioeconômico e fomentam situações frequentes de ameaça à vida e à segurança material.

***

Problemas ajudados pela socialização

Vale especificar a contribuição da má socialização para várias das mais notáveis patologias sociais que assolam o Brasil desde décadas atrás, tendo ou não piorado com o passar dos anos. É considerável que há interrelações evidentes entre diversas questões.

a) Violência urbana
Atualmente o mais notável dos problemas brasileiros, vem piorando há muitos anos, pelo menos desde os primeiros anos da redemocratização. Um tipo de crime merece uma atenção mais dedicada: os assaltos nas ruas em que se roubam celulares, bolsas, carteiras e outros pequenos objetos de valor, o delito mais praticado e temido atualmente pelos habitantes das cidades.

Assaltos de rua são “aprendidos” numa socialização muito perversa, principalmente em comunidades pobres. O jovem que vive numa comunidade de alto risco social, economicamente pobre e marcada por assassinatos e tráfico de drogas, tem uma maior probabilidade de assimilar que, no mundo em que vive, a vida de outrem não tem tanto valor e o consumo de drogas é uma forma válida – por ser tão disseminada – de se refugiar de uma realidade escassa de oportunidades de ascensão social. Pesa também a falta de opções de lazer, muitas vezes tendo-se como único ambiente de descontração os bares, recantos do alcoolismo.

Soma-se a isso, em muitos casos, uma socialização familiar caótica e tempestuosa: filhos de pais alcoólatras costumam conviver com a violência doméstica – sendo inclusive vítimas de agressões – e carecer de diálogo familiar edificante. Falta-lhes uma legítima educação doméstica. Crescem sem ter assimilado bem o que é o amor ao próximo e a compaixão. Desenvolvem-se num lar que lhes nega tudo aquilo que é necessário para o amadurecimento de uma pessoa reta e cidadã e lhes inspira uma revolta psicológica que ninguém se dispõe em tratar.

Soma-se ao caos do lar violento a vivência nas ruas locais, já citadas como exibidoras de um mundo em que o valor da vida não tem vez e drogas leves e pesadas são “populares”, e na escola, onde não se costuma prover uma educação decente, voltada para a cidadania e orientada ao tratamento da realidade social local.

Uma pessoa que não encontra uma educação boa e construtiva em nenhum ambiente de convívio social e encontra nas drogas um falso refúgio de uma vida cheia de crueldade terá uma tendência enorme a sucumbir à tentação do crime. Não verá impedimentos morais em começar a praticar assaltos para satisfazer o vício de drogas e fazer desse crime uma autêntica fonte de renda – por trocar o produto de roubo por narcóticos ou dinheiro com outros criminosos.

Essa é uma explicação apenas parcial, uma vez que ainda seria necessário expor fatores econômicos, a questão do caráter individual e constatações sociológicas mais avançadas e faltou falar de roubos de carros e bancos, que envolvem muitos outros fatores que geralmente transcendem as causas acima citadas.

b) Cultura da violência
O Brasil está muitíssimo longe de uma autêntica cultura de paz. Diversos valores, alguns dotados de profundas raízes históricas e outros mais recentes, contaminaram a mentalidade coletiva de modo que a violência se tornou banalizada e até um costume moralmente viável.

Desde a primeira infância, a coerção a atos de desobediência é feita pelos pais com castigos físicos – costume que hoje, entretanto, está em decadência nas cidades – como tapas e golpes de cinto ou chinelo. É assim que se começa a ensinar que a violência é um recurso não só aceitável como também útil.

Em seguida, um bombardeio de lutas violentas vem pela televisão, desde o final da primeira infância. Desenhos animados bastante violentos não necessariamente fazem as crianças se tornarem violentas, mas transmitem aos meninos que ser agressivo é preciso para se dar bem na vida. Há uma séria carência de opções televisivas que não exibam festivais de golpes corpo-a-corpo ou disparos de energia destrutiva ou de armas de alcance.

Assim vai se edificando a experiência social de crianças e adolescentes machos que ostentam, às vezes pelo resto da vida, a crença de que a prática da violência é algo inevitável, corriqueiro e até divertido.

Somando-se a isso, há uma constante influência cultural que induz meninos e homens, mesmo os distantes de uma vida de crimes, a lançar mão da agressividade em várias ocasiões. Herança não combatida de costumes ancestrais de defesa da honra pessoal e da virilidade, a reação violenta para situações como a namorada estar sendo olhada por um rapaz paquerador é preconizada como “o melhor a se fazer”.

O homem que recusa o uso da força para determinadas ocasiões em que a violência é “recomendada”, preferindo usar algo como advertências não-violentas, costuma ser taxado por outros rapazes de “afeminado”, “frouxo”, “babaca” e outros atributos considerados depreciativos, num sistema de sanção social contra quem não segue os valores da maioria.

No âmbito da violência das ruas, as pessoas, ao passo em que vão convivendo com uma realidade que a banaliza e até a exalta, passam a vê-la com naturalidade. Nem os muitos assassinatos que estampam alguns jornais e programas de TV sensibilizam mais a população. Corpos baleados e ensanguentados na rua tornaram-se curiosos “espetáculos” que atraem mais pessoas que um circo pequeno.

Menor ainda está a comoção por assaltos e agressões: a indignação dos pais em saber que um(a) filho(a) foi roubado(a) na rua e perdeu vários objetos de valor desvanece no dia seguinte ao crime sofrido; amizades – mesmo as mais próximas – de uma pessoa assaltada não expressam mais tanta solidariedade por ela; agressões na rua recebem, em vez de apartação, uma plateia de pessoas tão acostumadas com a realidade violenta que passaram a contemplar brigas ao ar livre como se fossem filmes interessantes passando na TV.

Não menos importante é a interferência da religião em muitas cenas de agressões de intolerância religiosa e homofobia. Muitas igrejas, em especial pentecostais, doutrinam seus/suas fiéis para que rejeitem com ódio a homossexualidade e as crenças ou descrenças de quem não é cristão, baseando-se em versículos bíblicos moralmente violentos. Assim sendo, fazem-se não raramente cenas de severa violência contra gays e contra terreiros de candomblé e umbanda, centros espíritas e imagens católicas.

A homofobia cristã influenciou a sociedade a tal ponto que o ódio à homossexualidade estendeu-se aos valores seculares. É bastante frequente que pessoas que não frequentam igrejas assumam não gostar dos gays e de seus costumes e homens de vida secularizada confessem que agrediriam pessoas do mesmo sexo que estivessem numa cena caliente em público ou lhes distribuíssem cantadas.


A violência assimilada pela cultura brasileira é uma das patologias sociais alimentadas pela socialização no país. (Imagem: psicolucia.blogspot.com)









c) Corrupção e desonestidade
Reclama-se muito de políticos corruptos presentes em Brasília e nas casas legislativas de qualquer cidade e estado brasileiros. Contudo, não é irrelevante que a corrupção quase generalizada no meio político nasceu, em parte, da própria cultura que se estabeleceu. O respeito às leis é corriqueiramente desdenhado pelas próprias pessoas comuns e dá-se lugar à “desonestidade esperta” em muitas ocasiões.

Não é tão raro que vejamos uma pessoa acima de suspeitas praticando atos indecorosos, com a desculpa de que envolvem objetos de pouco valor. Um exemplo é o furto de produtos pequenos, como bombons e canetas, em lojas desprovidas de sistema antifurto – um ato conhecido como “shoplifting” – e o de papéis higiênicos e sabonetes em instituições públicas. Outras explicações utilizadas é que “só uma coisinha dessa não vai fazer diferença para um prédio desse tamanho” e que a instituição “tem muito dinheiro e vai repor depois” o(s) produto(s) furtado(s).

Também figuram como um aspecto tornado cultural as demonstrações perversas do chamado “jeitinho”, em que se incluem atos como não devolver objetos de valor ou dinheiro perdidos, suborno de guardas de trânsito para se escapar de multas, pagamentos de taxas paralelas para aprovação fácil de uma carteira de motorista e oferecimento de dinheiro para que terceiros façam por inteiro um trabalho de conclusão de curso universitário. A desonestidade é utilizada sob forma de esperteza para se driblar o que está estabelecido pela lei.

Uma pessoa dotada de tais comportamentos é mais passível que uma plenamente honesta de transferi-los para o meio político uma vez que concorra a um mandato e consiga ser eleita. É provável que não terá vergonha de, por exemplo, desviar 60 mil reais, para proveito pessoal, das verbas de uma determinada empreitada, com a desculpa de que “é menos de 0,5% do total da obra”.

Costuma-se também menosprezar quem não é adepto do “jeitinho” e de outras formas de “microcorrupção”, considerando-se “tola”, “burra” e “sem esperteza” uma pessoa que prefere manter-se na retidão legal a lançar mão de atitudes escusas para “se dar bem na vida”.

A “desonestidade esperta”, tornada uma parte da cultura de muitos(as) brasileiros(as), é assimilada na socialização ao longo da vida, muitas vezes desde a escola. Desde o ambiente escolar, acostuma-se a tratar a honestidade e o zelo à legalidade como algo “idiota” e a recorrer a meios de se subverter a lei para o atendimento de prazeres materiais pessoais ou para se evitar as consequências penais de infrações mais sérias. Falta na educação da maioria das instituições de ensino uma educação dirigida à ética.

d) Alienação e conformismo
A sociedade brasileira das classes média e baixa tem um longo histórico de alienação e conformismo e de desvalorização da mobilização popular por mudanças. Excluído da maioria das revoltas anticolonialistas e anti-imperiais dos séculos 18 e 19 e dos processos de independência política e proclamação da república, o povo em massa só participou de forma decisiva dos episódios históricos do país nas Diretas Já e nos protestos contra Fernando Collor.

Hoje, mesmo esmagada por sérios problemas de violência urbana, corrupção política, desigualdades sociais e opressão econômica por aumentos de tarifas públicas, a população não esboça reações massivas. A oposição a tais problemas acontece quase sempre por iniciativas de movimentos estudantis e sociais, dificilmente havendo participação de outras pessoas. Quando há protestos populares, são geralmente pequenos e mal divulgados.

Atualmente, três fatores socializatórios pesam de forma mais decisiva na manutenção dessa letargia: a influência hipnótica da mídia televisiva, a supressão da disponibilidade pelo trabalho – popularmente chamada falta de tempo – e a carência de uma educação escolar e doméstica voltada para o fomento da cidadania e da mobilização sociopolítica popular. Os três são muito poderosos e agem de forma interrelacionada, embora cada um tenha sua própria ênfase.

Influência da mídia - Os efeitos da mídia, intencionados ou não pelo empresariado que detém a posse das emissoras de televisão, enfatizam o desapego dos telespectadores à realidade em redor e ao seu papel de cidadãos dotados do poder de transformá-la.

A transmissão de programações ricas em encenações (como novelas) e variedades (como programas musicais e apresentações de auditório voltadas a temas banais) costuma dar prioridade marginal a questões sociopolíticas e introduzem a audiência num estado mental análogo ao transe, ocultando o mundo em volta enquanto a TV está ligada num programa não-jornalístico. Sua temática variada também ocupa grande parte das conversas de vizinhança, rodas de bar e bate-papos entre colegas, numa extensão do alheamento pessoal à situação sociopolítica da localidade, da região e do país.

Já o jornalismo televisivo, embora escancare alguns fatos que marcam o estado de coisas transitório ou histórico, transmite-os de uma forma que a população parece não ter o que fazer para ajustar a realidade em que está inserida. Fornece-se a informação de tal modo que nada parece ter solução, o povo não encontra um papel na questão e esforços de reação social popular, por mais opções que haja para acontecerem, nunca são julgados como adequados e moralmente aprováveis. A pessoa que assiste ao noticiário tem as conclusões de que o Brasil e o mundo assim são por essência e assim sempre serão e que nada que a sociedade faça como meio de intervenção adiantará algo.

Resignado perante o “mundo sem solução” que os telejornais desencorajantemente lhe mostram e encantado pela hipnose do restante da programação, o indivíduo vê sua mente ocupada com futilidades de importância artificialmente elevada e tem o pensamento cidadão, de que ele pode, junto a uma massa crítica, mudar o status quo da região, do país e do mundo, desabilitado. Esse sentimento que mescla alienação e conformismo reproduz-se em cadeia na mentalidade de toda uma população e imobiliza-a para qualquer atitude coletiva de reação sociopolítica popular.

É dessa forma que a televisão, como instrumento central no cenário sociocultural brasileiro, socializa a população do país. Desde a ditadura militar, vem consistindo em introduzi-la e acostumá-la, da adolescência à terceira idade, a uma cultura de pensamento despolitizado e conformado com a realidade existente.

Trabalho e indisponibilidade de tempo – É a mais frequente justificativa dada por quem responde negativamente a convocações de mobilização popular. A verdade é que não se pode culpar a população que, de fato, vive ocupada e não é permitida a participar de protestos pelas empresas onde trabalham.

Estas, por sua vez, temem a perda de receita que aconteceria caso liberassem seus/suas empregados(as) para manifestações. O ganho de dinheiro ainda é encarado por elas como algo superior aos anseios por um país melhor. Por isso, a única forma hoje de trocar um dia de trabalho por um de cidadania máxima é forjando um atestado médico ou deixando um recado de doença para o patronato mais liberal – a saber, algo que não garante a presença do indivíduo num evento que dure dias ou semanas seguidos.

As pessoas, presas na permanente indisponibilidade de entrar em movimentos de mobilização por motivo de ocupação em trabalho, algemadas a um capitalismo que não as libera para lutar nas ruas por mudanças, formam uma massa impedida de manifestar-se como povo descontente. A única via desbloqueada é a do conformismo. Como ninguém pode sair da loja para compor massas críticas, parece não haver como mobilizar uma população grande. Muitos(as) então dizem: “Não posso lutar, então o jeito é me conformar.”

Falta de educação cidadã – É notável que apenas uma minoria da população brasileira teve ou está tendo acesso a uma educação escolar que prezava ou preza pela formação cidadã, pela transmissão da lição de que as pessoas podem, com vontade, união e perseverança, fazer algo para mudar a região, país e/ou planeta onde vive. Menor ainda é a quantidade de gente que, vinda de quem não teve tal preparação, conseguiu alcançar uma iluminação autodidática de sabedoria social e começar uma vida de engajamento cidadão.

Também são pouco difundidas a leitura de livros esclarecedores sobre política, sociedade e possibilidades de mudança e a transmissão midiática de incentivos à cidadania – sendo estes últimos trazidos em maior parte por blogs e sites de mídia independente na internet. Pelo contrário, em vez de cultura útil e educativa a enriquecer o conhecimento e aprimorar a visão de mundo, o conteúdo de acesso mais largamente disponível são justamente atrações “sem conteúdo”, vide a programação televisiva que “ocupa” e hipnotiza tanta gente, que prefere a TV ao livro.

Castigadas pela ignorância educacional e alheias a fontes de inspiração social, tendo o televisor e o rádio como grandes provedores culturais e sendo alheadas da mobilização pelo empresariado que não quer perder lucro, as pessoas são sujeitas a uma socialização alienante que as distancia de qualquer iniciativa de começar um processo de reviravolta sociopolítica orientada de baixo para cima.

e) Valores nocivos trazidos pelo capitalismo
Consumismo, fanatismo materialista e ganância acima da ética são os principais valores patológicos trazidos pelo boom capitalista industrial-financeiro que dirige o Brasil desde a década de 1950. Desde aquela época, a socialização da população urbana brasileira é centrada no cultivo desses preceitos que têm feito tanto mal para o meio ambiente e corroído os valores ético-morais de sociedades de todo o planeta.

Somos influenciados desde a infância pela cultura da compra como meio de satisfação psicológica, e isso vem induzindo a diversos comportamentos perversos. Em primeiro lugar, somos seduzidos pelos pretensos encantos de se comprar, por exemplo, uma roupa da moda, um carro ou mesmo um refrigerante.

As propagandas na televisão, nos jornais, nas revistas nos mostram que, quando compramos uma bebida, alcoólica ou não, compramos animação, alegria, alto-astral. Quando desembolsamos por uma roupa de marca tal, estamos obtendo o glamour, a sofisticação e até o prestígio de uma top model. Quando obtemos um determinado carro, levamos junto um punhado de juventude e felicidade e um estado de bem com a vida.

Além da sedução publicitária, o capitalismo contemporâneo trouxe o paradigma da (falsa) necessidade de comprar. Desde criança, o indivíduo é convencido de que ter mais o faz ser “melhor”, mesmo que o “mais” não tenha uma necessidade utilitária. Deseja-se comprar o máximo possível para satisfazer uma sede de aquisições culturalmente induzida. Tem-se então o consumismo.

Essa sanha de se obter o máximo de dinheiro e objetos de notável valor não demora para ser concebida pela pessoa como um objetivo de vida, uma ambição que muitas vezes se torna superior a qualquer outra meta a constar do projeto de vida. Enriquecimento intelectual, busca de paz interior, sede de sabedoria, reconhecimento de méritos não-econômicos, contribuição por um mundo melhor, esses objetivos edificantes são relegados à margem do viver pessoal e o materialismo fanático, o viver pelo ter, torna-se a meta suprema.

Em nome de uma vida materialista centrada no ganho de dinheiro e na supervalorização do ter, muitas pessoas carentes de educação ética passam a considerar que vale tudo para alcançar o enriquecimento. Inclusive lançar mão de artimanhas desonestas e até criminosas, como a pirataria comercial, a forja de trabalhos de conclusão de cursos universitários e, no caso de políticos corruptos, desviar dinheiro público para proveito pessoal. Essa vertente antiética do paradigma capitalista ajuda assim na propagação da desonestidade como valor socialmente elogiado.

A socialização capitalista é algo de que ninguém dentro da sociedade urbanizada brasileira pode escapar de sofrer, embora algumas poucas pessoas consigam desprender-se de grande parte dos paradigmas impostos por esse sistema socioeconômico. Apenas quando surgir concluída uma proposta de economia que varie do capitalismo e do desacreditado socialismo, os comportamentos sociais de “culto” à riqueza financeira e material poderão ser questionados por um número significante de pessoas.

f) “Alcoolismo social”
O consumo de bebidas alcoólicas é hoje parte da cultura brasileira. Poucos são aqueles que afirmam nunca bebê-las, enquanto uma esmagadora maioria é adepta do seu consumo social – dizem: “bebo socialmente, em ocasiões sociais”. Cerveja é, ao lado do refrigerante e da água, um dos líquidos mais comumente bebidos no Brasil.

Poderia ser um costume inofensivo caso não houvesse incentivos velados ou explícitos de ingestão imoderada de álcool na música (por estilos como “forró” estilizado e swingueira) e em valores como a valorização social da embriaguez em festas – o chamado “alcoolismo social”. Consequências perniciosas ocorrem, tais como acidentes graves de trânsito causados por motoristas bêbados e a violência doméstica – que, como citado mais acima, ajuda a induzir jovens filhos de pais alcoólatras à revolta psicológica que pode levar a uma vida de crimes.

g) Especismo, carência de compaixão e maldade contra animais
No Brasil, assim como em todo o mundo, a socialização em casa, na escola e em outros ambientes veste a mentalidade das pessoas com valores antropocêntricos, especistas e desdenhosos em relação à vida animal não-humana.

Mitos são repetidos insistentemente pela mídia, como a inferioridade dos bichos perante os humanos e a essencialidade insubstituível da carne, do leite e de outros alimentos oriundos da exploração animal. Churrascos são praticados com naturalidade e sem a mínima noção da crueldade envolvida na produção daqueles pedaços de carne e do valor da vida perdida pelos animais na pecuária. Animais domésticos são comprados e muitas vezes aprisionados ou abandonados, sendo tratados como objetos com preço e sem vida própria e tendo seus sentimentos ignorados.

O movimento de defesa animal ainda é bastante fraco para ter poder de influenciar porções grandes da população e drenar o poder dos costumes especistas entranhados. Precisará adquirir muito mais força para enfim ter o poder de promover uma socialização populacional em harmonia com animais não-humanos.

***

Efeitos da educação

A educação escolar atual no Brasil, com a exceção de poucas escolas de didática e abordagem pioneiras, não está ajudando a combater os problemas surgidos na socialização da população brasileira. Muitas vezes, até ajuda a piorá-los.

Exemplos notáveis são:
- os livros didáticos e aulas de biologia e geografia abordando com naturalidade, respectivamente, os alimentos de origem animal e a pecuária e pesca enquanto pouco ou nada dizem sobre vegetarianismo e argumentos ético-ambientais da defesa animal;
- a falta de debates sobre ética na relação entre animais humanos e não-humanos;
- o uso mais que frequente de uma linguagem androcêntrica, falando-se “o homem” quase sempre que se refere ao ser humano indistinto de sexo;
- o não-debate tematizado na socialização favorecedora da agressividade e violência dos meninos e homens no Brasil;
- a carência de discussões sobre como o capitalismo poderia ser sucedido, substituído;
- a escassez de debates escolares em torno da proteção dos(as) estudantes contra a alienação sociopolítica, o conformismo e outros comportamentos de caráter prejudicial;
- o pouco uso da transdisciplinaridade – ligação do conteúdo didático com conhecimentos culturais e realidades socioambientais extraescolares;
- o não-aproveitamento da oportunidade de se lançar discussões sobre a situação socioambiental da comunidade em torno de grande parte das escolas: mantém-se um ensino precário – no caso das públicas – e distanciado da realidade que prejudica a própria instituição de ensino;
- a falta de ênfase na importância de movimentos de mobilização popular focados na cobrança de soluções para problemas sociopolíticos brasileiros;
- a não-prioridade a formas menos conhecidas de preservação e ação socioambiental, tais como vegetarianismo, boicotes e ativismo;
- a pouca atenção ao problema ético de recorrer a atos desonestos em prol da vantagem pessoal.

Deve ser promovida uma renovação generalizada na abordagem didática das escolas brasileiras caso se queira plantar novos valores saudáveis que suplantem os antigos preceitos prejudiciais. Aliás, os efeitos negativos dos atuais princípios e costumes da população brasileira devem ser largamente discutidos antes de se tomar a iniciativa de promover tal reforma.

***

Soluções para os males socializatórios

Além da sugerida mudança na educação brasileira, outras questões mais devem ser enfatizadas, como a reeducação ética e cidadã dirigida a adultos.

Um esforço de guinar a socialização no Brasil para uma edificação cidadã, ética e pacifista só funcionaria de verdade se abrangesse um processo de ressocialização de toda a população já saída das escolas. Não se pode pensar em mudanças vislumbrando-se apenas as pessoas mais jovens e descartando-se todo o restante do povo.

A vida é um permanente processo de aprendizado. Aproveitando-se essa propriedade, deve-se discutir como será possível fazer uma educação pós-escolar para a população há muito egressa do ensino escolar sem que seja necessário pôr todos(as) de volta a uma sala de aula e comprometer suas rotinas.

Um método de facilitar o aprendizado perpétuo das pessoas seria induzi-las a momentos de reflexão transformadora. Poucas hoje têm a oportunidade de modificar seus valores e hábitos a partir de tais ocasiões, e a maioria dessas poucas só a tem por já serem predispostas desde cedo a mudar. As formas de como estender a todos(as) a passibilidade à mudança ainda merecem ser elaboradas, analisadas e discutidas por educadores.

É necessário substituir muitos dos princípios que brasileiros(as) são induzidos(as) a adotar ao longo da vida. Inibir ou abolir a valorização da violência, a “desonestidade esperta”, a alienação, o “alcoolismo social” e outras patologias sociais do processo de socialização que cada um(a) sofre ao longo da vida é imprescindível para que possamos vislumbrar um futuro socialmente próspero, pacato e próximo da harmonia entre pessoas e entre humanos e outros animais.

Sem demanda, sem matança. Eu não disse?

A Noruega interrompe a caça a baleias em razão da baixa demanda

Os baleeiros noruegueses interromperam a caça a baleia no meio da estação deste ano, menos da metade da cota de 885 cetáceos foi pega, por causa da saturação da demanda.

Para os defensores de animais, esta decisão é a prova do desinteresse dos consumidores pela carne de baleia
, um animal protegido por uma moratória desde 1986. Técnicos da área afirmam que a interrupção prematura é devido à saturação das usinas de condicionamento de terra.

Os baleeiros noruegueses foram informados da interrupção em meio à estação que ocorre de abril a outubro, enquanto que em média 350 pequenas rorquals (ou baleias de Minke) foram arpoadas.

Se não recomeçarem a caça na estação, 2009 será o pior ano para a caça à baleia desde que a Noruega retomou a caça comercial em 1993.

A Noruega e a Islândia, que proferiram reservas sobre a moratória de 1986, são os únicos paises a autorizar a caça comercial à baleia, estimando sua população abundante. O Japão também pratica a caça, mas oficialmente para fins científicos, mesmo que uma grande parte da carne siga para o mercado.

Bem que eu falei no artigo que relaciona exploração animal com crime ambiental:

O extrativismo animal é inegavelmente uma das maiores causas da ameaça de extinção (ou da própria extinção) da imensa maioria das espécies de animais vertebrados. Duas perguntas são suficientes para fazer cair a ficha dessa questão:

1) Por que tantas espécies de elefantes, ursos, pandas, tigres, jacarés, raposas, baleias, tubarões, golfinhos, tartarugas, focas etc. estão entrando em extinção? – resposta: em grande parte porque são vítimas de caçadores que procuram extrair a carne de seu corpo ou de parte dele, suas peles, seus marfins, seus chifres, seus dentes, seus ovos, alguns de seus órgãos, algumas de suas secreções...

2) Por que eles extraem carne, pele, órgãos etc. de animais ameaçados de extinção? – resposta: porque há pessoas interessadas em pagar por esses elementos e consumi-los in natura ou em forma processada.

Se não houvesse sociedades cegas aos Direitos Animais apreciando todos esses produtos de origem animal, os caçadores não teriam para quem vender os frutos de seus assassinatos. Se o vegetarianismo pelos animais fosse generalizadamente adotado, as carnes de tubarão, de baleia, de tartaruga e de tantas outras espécies ameaçadas, além dos ovos, não teriam mais valor econômico. Se o veganismo fosse largamente adotado, acabaria a demanda por peles naturais, marfim, secreções animais e qualquer outra matéria-prima dessa origem.

O desenrolar dos acontecimentos provaram que tive razão nessa colocação.

Espero que a cessação da demanda por produtos de origem animal seja estendida a todos os produtos extraídos de qualquer outra espécie animal.

Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 10)

Em cobaias, gripe suína é mais grave que a comum

Dois estudos paralelos nos EUA e na Holanda mostraram que o vírus da gripe suína ou 2009 A (H1N1) causa no furão, um pequeno mamífero, uma doença um pouco mais severa do que o vírus H1N1 das gripes sazonais. Os resultados indicam que é provável que o vírus permaneça por longo tempo em populações humanas --com potencial ainda desconhecido de se tornar mais perigoso.

A nova gripe 2009 A pode ter vindo do porco, mas, quando se trata de estudar seu potencial no ser humano, o animal mais indicado é o furão, pois o vírus causador da doença afeta o pequeno mamífero de modo semelhante.

"Ambos os grupos concordam que o vírus não se transmite apenas por contato direto, mas também por meio do ar. Isso tem implicações importantes para as medidas implementadas para parar com a transmissão", disse à Folha o líder da equipe holandesa, Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus, de Roterdã, Holanda

A gripe foi considerada uma epidemia global (pandemia) pela Organização Mundial de Saúde em 11 de junho passado.

As duas equipes --uma dos EUA, outra da Holanda-- descobriram que o novo vírus se multiplica mais intensamente no trato respiratório (pulmão, brônquios), enquanto que o vírus sazonal permanece na cavidade nasal.

Os americanos também acharam o vírus suíno no intestino do furão. Uma das características misteriosas do novo vírus é sua capacidade de produzir sintomas não associados a gripe, como vômitos e distúrbios gastrointestinais.

"Estes dados sugerem que o vírus influenza 2009 A (H1N1) tem a habilidade de persistir na população humana, potencialmente com mais severas consequências clínicas", relata a equipe holandesa.

"Os fatores que levam à geração de vírus pandêmicos são complexos e pouco conhecidos, mas a habilidade de um novo vírus influenza de causar doenças graves e ser transmitido pelo ar é um traço de linhagens pandêmicas de influenza", afirma a equipe americana, chefiada por Terrence Tumpey, dos CDC (Centros para Controle e prevenção da Doença) dos EUA.

Os dois artigos estão no site da revista americana "Science".

Faltou esclarecer uma dúvida essencial nessa notícia lamentável: quantos ferrets morreram nessas experiências frankensteinianas, uma vez que a gripe suína é ainda mais grave neles?

A impressão existente é que só se pesquisa em animais não-humanos porque não há métodos substitutos com eficiência comparável. Entretanto, percebe-se um atraso conveniente no processo de substituição. Até quando "precisaremos" infectar, torturar e matar seres inocentes em nome de nossas vidas humanas?



ALF, socorro!

Promessa feminista de revolução linguística: Português com Inclusão de Gênero

Encontrei uma série de documentos que, quando forem conhecidos e seguidos pela população, promete transformar o português em uma língua mais igualitária em gêneros e banir dele o androcentrismo.

São textos muito interessantes. Recomendo a tod@s @s leitores(as) do Consciência Efervescente:

Série A Língua e o Sexo
I - O problema
II - A solução
III - Ìntimos detalhes

Dou meu total apoio a essa promessa de revolução linguística feminista. Se os teclados ajudassem a utilizar a ligadura æ e as @rrobas minúsculas sem as complicações de respectivamente decorar o código Alt+0230 e diminuir o tamanho de fonte da arroba, eu passaria a utilizá-los sempre aqui no blog.

Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 10)

Hormônio influencia o alcoolismo

A grelina, hormônio produzido no estômago que ajuda a induzir a fome, pode ter um papel importante no desenvolvimento da dependência do álcool, aponta estudo que será divulgado esta semana no site da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (www agencia.fapesp.br). O estudo deve ser publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Descoberta em 1999, a grelina tem sido objeto de muitos estudos desde então. O hormônio ajuda o organismo a controlar o peso como parte de um complexo sistema que regula a ingestão de alimentos e o consumo de energia.

Em nova pesquisa, Elisabet Jerlhag, da Universidade de Gotemburbo, Suécia, e colegas descrevem que a administração de grelina em camundongos levou a um aumento no consumo de álcool. Por outro lado, ao bloquear a ação do hormônio, constataram uma diminuição no consumo.

Estudos anteriores haviam identificado a presença de receptores de grelina em áreas específicas do cérebro que têm papel importante no sistema responsável pelasensação de recompensa. Como esses mecanismos parecem mediar a recompensa no caso da ingestão de alimentos e de bebidas alcoólicas, os pesquisadores do novo estudo estimaram que a grelina poderia mediar a dependência de álcool.

A administração direta do hormônio em áreas do cérebro responsáveis pelos sistemas de recompensa em camundongos levou a um aumento de cerca de 45% no consumo de álcool, na comparação com animais que receberam uma solução salina.

O consumo de álcool também diminuiu quando os autores administraram compostos que interferem com a sinalização da grelina. Segundo os autores da pesquisa, os camundongos com sinalização reduzida do hormônio aparentaram estar menos suscetíveis às propriedades de recompensa do álcool porque seus cérebros produziam menos dopamina.

De acordo com os pesquisadores, os efeitos de recompensa do álcool formariam uma parte intrínseca do processo de dependência. A grelina, apontam, mostrou ser um alvo em potencial para novas terapias para tratamento de alcoolismo.

Só mais uma crueldade científica: ratos induzidos ao vício de álcool e à embriaguez.

Mais uma lamentável maldade da ciência frankensteiniana que transformou a estupidez, a crueldade e o assassinato em partes do alicerce da medicina ocidental.



ALF, socorro!

O terror é recíproco (Parte 19)

Jovem palestina morre após explosão de bomba em Gaza

Uma adolescente palestina morreu vítima de uma bomba que explodiu na Faixa de Gaza, controlada pelo grupo militante Hamas, nesta quinta-feira. Funcionários do hospital e autoridades do Hamas disseram que a bomba foi disparada por um tanque de Israel.

Autoridades militares israelenses disseram que uma investigação inicial mostrou que a menina foi provavelmente atingida por um morteiro disparado acidentalmente por militantes palestinos durante confronto com soldados perto de um posto de fronteira.
[A tirania e a opressão sustentam-se na mentira. Como podem provar ao mundo o que dizem?]

Funcionários de um hospital palestino disseram que outras três pessoas ficaram feridas quando uma bomba explodiu perto de uma casa no campo de refugiados de al-Bureij, na região central da Faixa de Gaza, matando a menina.

A fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza está relativamente calma desde que Israel encerrou uma incursão de três semanas no território palestino em janeiro.

Interpreto essa nova sanguinariedade como um aviso de Israel: "Ei, vocês ainda são nossos inimigos e estão sob a mira de nossas armas. Não se esqueçam disso!"

Infelizmente o chamado Primeiro Mundo se borra de medo de jogar sanções contra Israel como vem ameaçando contra Coreia do Norte e Honduras.

G(afe)1.com.br (Parte 6, dose tripla)

Veja lista de 10 cenas inusitadas de pessoas e animais entalados

[Inclui cenas sérias, indevidamente ridicularizadas pelo G1, com bichos entalados]


Após caminhão capotar, porco de 360 kg foge e é encontrado em piscina

Um porco de 360 quilos sobreviveu na semana passada após o caminhão em que estava ter capotado. Após escapar do acidente e de ser levado para o matadouro, o animal aproveitou para se refrescar na piscina da casa de LeAnn Baldy, segundo o jornal 'Arkansas Democrat Gazette'. Dos 90 porcos que estavam no caminhão que capotou, cerca de 60 sobreviveram. O animal que foi encontrado na piscina de LeAnn foi o último a ser capturado.


Alfândega polonesa intercepta pacote com 39 escorpiões

Os funcionários da alfândega polonesa interceptaram um pacote que tinha sido enviado por uma pessoa de Hong Kong, na China, com 39 escorpiões --32 deles ainda estavam vivos
[Melhor dizendo, sete mortos]--, para um estudante na cidade de Wroclaw.

Os escorpiões estavam em um pequeno pacote contendo brinquedos, que tinha sido supostamente avaliado em apenas US$ 17, de acordo com a porta-voz da Alfândega da Polônia, Aldona Wegrzynowicz.

Segundo ela, o órgão normalmente checa os pacotes quando os funcionários têm dúvidas se o valor declarado corresponde ao do conteúdo declarado.

A polícia interrogou o estudante de 24 anos, que admitiu que tem interesse em animais exóticos e queria aumentar a sua coleção de escorpiões. Ele pode receber uma multa de até US$ 15.905 (R$ 31 mil), pois já havia violado a legislação em outras ocasiões.

Primeiro, animais entalados, que se viram em sérios apuros e seriam incapazes de sair da cilada sem ajuda humana. Segundo, um porco que tentou fugir de um destino trágico mas acabou recapturado e encaminhado à morte no matadouro. Terceiro, sequestro de animais que podemos considerar silvestres, incluindo a morte de sete.

Até quando a Globo.com vai continuar fazendo shows de sadismo contra animais em suas notícias ditas bizarras?